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03/07/2018 - 00h30min

DOSES QUE PROTEGEM

Rio Preto lança alerta por vacina de crianças contra sarampo

Diferente da média nacional, Rio Preto mantém boa cobertura vacinal da maioria das crianças menores de um ano, mas índices da tríplice viral, contra sarampo, preocupam devido a segunda dose aquém da meta

Guilherme Baffi 29/6/2018 Monique vacinou os filhos Sofia e Henry contra a gripe e não descuida para manter a caderneta sempre em dia
Monique vacinou os filhos Sofia e Henry contra a gripe e não descuida para manter a caderneta sempre em dia

Entre 2015 e 2016, oito dentre as dez vacinas previstas no calendário vacinal tiveram a cobertura reduzida em Rio Preto entre as crianças com menos de um ano. Entre 2016 e 2017, o cenário foi parecido e a cobertura caiu ainda mais, reduzindo a proteção em sete das dez vacinas. Neste ano, com exceção da gripe, todos os índices voltaram a crescer. Até o fim de maio, segundo dados da Secretaria de Saúde de Rio Preto, os índices de todas as doses estão acima da meta, com exceção da gripe. O município segue na contramão de uma preocupante tendência nacional: no ano passado, a cobertura vacinal de bebês atingiu o menor índice em 16 anos. 

Michela Dias Barcelos, enfermeira gerente do setor de imunização da Secretaria de Saúde de Rio Preto, explica que ao nascer a criança conta com uma proteção que recebeu da mãe. "Ela tem um sistema imunológico imaturo e está extremamente vulnerável a diferentes tipos de doenças. A vacinação no menor de um ano é extremamente importante para evitar que as crianças desenvolvam doenças infecciosas preveníveis e tenham complicações."

Monique Flávia Santos Silva, fiscal de patrimônio de 30 anos, mantém atualizada caderneta de vacinação dos filhos Henry, 8 anos, e Sophia, de 3. "A imunidade dela é muito baixa, qualquer coisinha ela pega resfriado. Eu tento manter em dia as vacinas para evitar as doenças mais graves", diz. "Acho que é uma imunidade a mais pra a criança. Sempre pergunto para a moça do posto se vai dar alguma reação, qual remédio tenho que dar para eles em caso de dor."

Débora Rodrigues Castanheira, 28 anos, é mãe de Miguel, de um ano e oito meses. "Nunca pulei nenhuma vacina. Acho muito importante ter que vacinar seu filho", afirma.

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

Alerta

Doenças já resolvidas pela vacina estão voltando a preocupar, como a poliomelite (que provoca paralisia infantil). A cobertura nacional estava em 77% no ano passado. No país por enquanto o maior problema é o sarampo - no norte do Brasil, mortes estão sendo investigadas pela doença que pode causar inflamação no cérebro, cegueira e óbito e avança no Amazonas, em Roraima e no Rio Grande do Sul. Há anos Rio Preto não registra algum caso da enfermidade, mas a cobertura vacinal da segunda dose, que também protege contra caxumba e rubéola, está aquém do preconizado. 

Conforme dados da Saúde, até maio a cobertura da primeira dose estava em 101,3% e a da segunda em 89,7% - o ideal é que esteja acima dos 95%. As sociedades brasileiras de Pediatria e de Imunizações recomendam duas doses para completa imunização das crianças, uma aos 12 meses de vida e a segunda quando o pequeno tiver entre um ano e três meses e dois anos de idade.

Até maio, apenas 70,1% dos pequenos de até cinco anos estavam protegidos contra a gripe. Dados do fim de junho apontam que o índice atual está em 77%, ainda longe dos 90%. Os números preocupam porque 26% dos casos de síndrome respiratória aguda grave em Rio Preto (20 dos 75 confirmados) são em crianças recém-nascidas até quatro anos. As crianças transmitem o vírus por mais tempo, têm muito contato com amiguinhos e família, aumentando o risco de disseminação e também correm o risco de ter complicações da gripe, precisando ser internadas. 

Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que o que mantém as doenças controladas ou erradicadas é a cobertura vacinal. Se mais de 80% da população estão vacinados, o vírus - trazido por algum estrangeiro ou brasileiro que foi ao exterior - não encontra brecha para se disseminar. "Se você tem uma cobertura menor que 80% isso faz com que 20% da população sejam suscetíveis. É isso que vem preocupando a gente."

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

É raro que uma vacina chegue a 100% da população. Quanto maior a porcentagem de imunizados, no entanto, menos espaço para que um vírus circule. "O fato de não ter a doença nessa região é uma tranquilidade, mas não pode deixar os pais tão tranquilos a ponto de não vacinarem seus filhos", alerta Michela Barcelos. "O Ministério da Saúde recomenda cobertura alta para que haja menos pessoas suscetíveis." 

Se a cobertura cai - em 2016, a de febre amarela ficou em 69,3% quando o ideal seria a totalidade dos menores de um ano estarem protegidos - acumulam-se crianças vulneráveis. "Basta ter alguém que foi para o Norte do país e voltar doente para termos de novo casos de sarampo. É questão de dias", ressalta.

Movimento contrário

Assim como na Europa e nos Estados Unidos, o Brasil registra o movimento de um grupo "antivacinação". São pessoas que se recusam a vacinar os filhos ou a si mesmos, disseminando as informações principalmente nas redes sociais. Os boatos vão desde que as doses causam paralisia e autismo e até que provocam a morte súbita de criança.

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, diz que a desinformação preocupa. "A facilidade de circulação desse tipo de informação deixa quem lê preocupado, hesitante. Mas de maneira nenhuma é o antivacinismo que é o responsável por essa queda de vacinação", avalia.

Na opinião da especialista, o sucesso da vacinação é seu maior inimigo. "As pessoas não temem a pólio, não temem o sarampo. O médico que tem menos de 30 anos de formado nunca viu essas doenças. A faixa etária dos pais das nossas crianças hoje nunca viram essas doenças na vida porque já nasceram em uma época em que estavam controladas. A falta de valorização da doença, não ter medo dela, diminui a prioridade de vacinar."

Caso de Monique, mãe de Henry e Sophia, de 8 e 3 anos. Aos 30, ela não viveu os grandes surtos de doenças graves como poliomelite e sarampo. Quando criança, era vacinada pela mãe e hoje não deixa de proteger os filhos. 

Michela Dias Barcelos, enfermeira gerente do setor de imunização da Secretaria de Saúde de Rio Preto, reforça que é muito raro que uma vacina não possa ser aplicada na criança. Os casos são específicos, como a dose contra febre amarela, que não pode ser dada em quem tem deficiência na imunidade. Em caso de dúvida, os pais devem conversar com o médico e o profissional de vacina do posto. Procurar na internet na maioria das vezes casos não é uma opção válida. "Muitas vezes acaba acessando sites que não são oficiais, aí ele fica em dúvida e achando que está protegendo o filho deixa de vacinar e a criança fica sujeita a pegar um monte de doenças porque está com a vacina em atraso."

De acordo com Evandro Pelarin, juiz da Infância e Juventude, a obrigatoriedade da família vacinar a criança não está diretamente prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas a lei preconiza que é dever dos pais cuidar dos filhos. Se houver recusa na vacinação prevista pelo governo e o pequeno ficar doente, os responsáveis podem ser penalizados. "Por negligência, que pode configurar uma infração administrativa do ECA que vai de três a cinco salários mínimos", comenta Pelarin. Se a criança vier a óbito, os pais podem ser responsabilizados pelo crime de omissão.

Serviço à disposição

Em Rio Preto, as salas de vacinas da maioria das unidades básicas de saúde funciona das 7h às 16h30. Nas unidades do Santo Antônio, Eldorado, Solo Sagrado, Vetorazzo, Parque Industrial, Vila Toninho, São Deocleciano e Jaguaré, o atendimento é feito das 7h às 19h30.

A vacina está disponível nas 27 UBS que funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h30. Nas unidades do Santo Antônio, Eldorado, Solo Sagrado, Vetorazzo, Parque Industrial, Vila Toninho, São Deocleciano e Jaguaré, a vacinação é feita das 7h às 19h30.

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