Diário da Região

    • -
    • máx min
17/06/2018 - 00h00min

A GRANDE FAMÍLIA

Especialista explica sobre os processos da adoção

Adotar uma criança, acima de tudo, representa um ato de amor

Álbum de Família/Divulgação Davi, Aline, Lucas e Luan comemoram as conquistas como família
Davi, Aline, Lucas e Luan comemoram as conquistas como família

O número de crianças e adolescentes que aguardam o momento de serem recebidos por uma família continua elevado no Brasil. Segundo levantamento do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), do Conselho Nacional de Justiça, existe aproximadamente 7,2 mil indivíduos que esperam ser adotados. Em maio, mas precisamente, dia 25, é dedicado ao Dia Nacional da Adoção, que inspira debates e reflexões sobre a adoção, um ato de amor que supera laços físicos e biológicos. Após a conclusão do processo adotivo os pais devem se preparar para lidar com as novas situações que se manifestarão com o passar do tempo. A psicóloga Lívia Vieira, do Hapvida Saúde, explica como é o processo de familiarização da adoção. "É importante que a criança passe por profissionais capacitados a fim de instruir para que ela encare o momento como um recomeço".

Segundo a psicóloga Roberta Grangel da Silva Fumero, todo filho, inicialmente é um estrangeiro. "É importante compreender que o processo de construção da paternidade e dos vínculos não se dão de forma natural, independente de serem filhos biológicos ou adotivos. Entretanto, no caso da adoção, é preciso disponibilidade interna e externa", diz a especialista que continua: "Para receber uma criança em casa é preciso um processo de amadurecimento psicológico e uma disponibilidade social para tal. Há que se ter em mente que, no contexto atual, trata-se de uma família para uma criança e não uma criança para uma família. O processo de preparação para receber a criança é gradual e, em se tratando de crianças acima de dois anos, geralmente, criança e família passam por um processo de adaptação e convivência", enfatiza.

Roberta faz um alerta aos pais para um filho adotivo sentir-se membro da família, é preciso que ele seja tratado com respeito, carinho, amor. "Contudo, cabe destacar a necessidade de não se esconder sua história pregressa, nem tampouco suas características e, a partir daí, ir inserindo-o no contexto familiar, considerando-o um novo membro da família, que, como qualquer filho, não pode ser idealizado, mas, aceito-o como um sujeito portador de necessidades e desejos".

Uma batalha de amor

Há 1 ano e meio o advogado Davi De Martini Junior e a assistente administrativa Aline Munhol De Martini, abriram sua casa para receber Lucas e Luan, na época com 5 e 3 anos. "A adaptação no início não é fácil nem para nós adultos e nem para eles crianças. Imagina, sair da sua cidade e morar em outra 'seis horas distante', com pessoas que você mal conhece em uma casa que você nunca viu. No nosso caso eles eram muito agressivos e aos poucos foram se adaptando, se acalmando e se entregando", relembra Martini Junior, que conta: "A decisão de adotar veio após descobrir minha esposa decidir que não iria passar por um tratamento na tentativa de engravidar", diz.

Davi conta que a princípio, assim como todo mundo pensa, ele via a adoção como um ato mais voltado à caridade. "Definitivamente não é, nem de longe. Adoção é um ato puramente de amor. Quando você adota um filho você pensa em dar todo seu amor para ele sem querer nada em troca, mas quando menos se espera, você começa a receber amor de seus filhos, e daí é algo mágico", declara ele que continua: "Não dá para sintetizar em uma palavra o que é ser pai. A satisfação de pegar um filho no colo e receber um sorriso é algo que não tem preço. Talvez seja descobrir que para o amor não há limites, as vezes me pergunto como é possível amar tanto. Há o significado da responsabilidade, de fazer com que não falte nada, mas é recompensador", diz.

Aline relembrar que foram dois anos e meio de espera até os meninos aparecerem. "A espera das crianças foi muito dolorosa. Depois você descobre que ser mãe é poder dividir o amor, é passar o meu conhecimento e transformar em amor", conta.

Hoje, graças aos filhos, Aline atua como vice-presidente do Grupo Rio-pretense de Apoio a Adoção. "É um grupo formado por pais que já adotaram ou por pessoas que estão na fila de adoção. Nos encontramos na Swift, prédio da chaminé, toda primeira terça-feira do mês, às 19h30", informa.

Minha tão sonhada família

Há 20 anos, Eliana Gavioli, mãe de 4 crianças adotivas, hoje adultos bem resolvidos, escreveu o livro "O Quartinho Solitário" (Ed. Vida). "Escrevi o livro para registrar para os meus filhos tudo o que eles significavam. Jamais pensei que fosse ajudar tantos casais", conta ela que além de achar lindo e ser favorável a ideia da adoção, sonhava em ser mãe, mas foi só depois de 5 anos de casada, quando deixou de se prevenir, que descobriu que o marido era estéril e avesso a adoção.

"Meu instinto maternal sempre foi muito forte. Meu marido, notando minha tristeza, se dispôs a examinar a questão com um outro olhar e a confrontar o seu maior medo, que era não saber como amar uma criança, que não era seu filho biológico. Adotamos 4 crianças, que hoje estão na idade de 25 a 29 anos. Três foram adotados recém-nascidos e com 5 anos de idade".

Eliana acredita que toda a criança adotiva carrega suas dores, não importa se sabe ou não. "A dor vem lá de suas experiência intra-uterina. Toda a criança adotiva tem guardado em seu inconsciente, uma sentimento de medo, incerteza ou rejeição. Na adoção tardia isso é muito mais intenso",diz ela que continua: "Eu e meu marido nunca supomos que os pais biológicos de nossos filhos não fossem pessoas boas, pelo contrário, a gente sempre garantiu à eles que seus pais biológicos eram lindos, inteligentes e bondosos", diz.

Hoje, mãe de 4 filhos e avó de um neto, Eliana vê a adoção como a experiência mais transcendental que um ser humano pode vivenciar.

Crianças para adoção

O psicólogo judiciário Claudio Luís Garcia da Silva, explica que hoje um casal na fila de adoção em Rio Preto chega a esperar até 6 anos para conseguir adotar uma criança. “Hoje, em Rio Preto, existem um grupo de 4 irmãos para adotar e mais uma criança. “São idades que variam de 2 a 12 anos”, conta.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso