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24/06/2018 - 00h30min

VAI NA FRENTE

Deficientes visuais precisam de bikes

Primeiro passeio será realizado nos dias 16 e 17 de julho na pista do Damha

Guilherme Baffi 22/6/2018 Rodrigo Rocha, depois que perdeu a visão, conseguiu voltar a pedalar com a bicicleta dupla e a ajuda da mulher Paula Regina Martins
Rodrigo Rocha, depois que perdeu a visão, conseguiu voltar a pedalar com a bicicleta dupla e a ajuda da mulher Paula Regina Martins

O simples ato de andar de bicicleta traz um significado muito maior para aqueles que são privados dessa prática no dia a dia, como é o caso de pessoas com deficiência visual. Ele pode significar uma sensação de independência, autonomia e, claro, inclusão. Foi pensando nisso que Rodrigo Rocha, deficiente visual e aluno do Centro de Reabilitação Visual do Instituto dos Cegos de Rio Preto, teve a ideia de criar o Vai na Frente que Atrás tem Gente, que será realizado na represa nos dias 16 e 17 de julho.

A ideia do projeto é usar bicicletas duplas para que pessoas videntes - nome dado àqueles que têm a visão - possam pedalar em parceira com deficientes visuais. O projeto visa, além do passeio ciclístico, oferecer àqueles que não podem enxergar a possibilidade de sentir o ar no rosto e a emoção do momento, algo inimaginável para muitos, afirma Rodrigo.

"O legal é que esse projeto também permite que aqueles que nunca tiveram a oportunidade de andar de bicicleta experimentem a sensação pela primeira vez. Eu tinha tido essa experiência porque não nasci sem a visão, fui perdendo com o tempo. Mas há algumas pessoas que nasceram deficientes visuais e poderão ter o prazer de andar pela primeira vez."

O Vai na Frente que Atrás tem Gente nasceu justamente da experiência de Rodrigo. Ele começou a perder a visão aos 14 anos, começando pelo olho esquerdo. Isso já restringiu a prática de diversos esportes. Acabou ficando a bicicleta como opção. Aos 25, a visão do olho esquerdo também começou a ficar ruim. Neste momento, ele descobriu que tinha a Doença de Coats.

"Continuei andando de bicicleta mesmo durante o período em que fiquei com baixa visão, com a ajuda da minha esposa. Mas há três anos perdi totalmente a visão", recorda. O desejo de pedalar, entretanto, não desapareceu. Foi neste momento que descobriu a possibilidade de pedalar em uma bicicleta dupla, contando com a ajuda de sua esposa.

"A sensação realmente foi muito boa, prazerosa. A sensação de autonomia, de pedalar junto, em sincronia com ela, de não ser apenas guiado, mas de ajudar. É muito bom. O vento no rosto. Parece algo muito simples, mas é um misto de diversas emoções", recorda.

Após a experiência, Rodrigo levou o projeto para o Instituto Riopretense dos Cegos Trabalhadores. Lá, o educador físico Juliano Romera comprou a ideia e entrou como colaborador no desenvolvimento. "Dei a sugestão para o professor de educação física do Instituto para realizar um passeio de bicicleta com os alunos agora em julho durante a colônia de férias. E que a gente podia bolar um projeto a partir de umas ideias que tive. Separamos nossas ideias, levamos para a diretoria do instituto, eles aceitaram e começamos a trabalhar."

A ideia é transformar o projeto em um evento mensal. Formar um grupo de passeio que ajude também a levar os interessados para além da pista do Damha, onde será realizado o primeiro encontro. "Queremos ocupar outros lugares, fazer com que o deficiente esteja em outros lugares. Onde a bicicleta pode ir, ele também. A ideia com o projeto é a autonomia. Fugir um pouco da inclusão e focar na questão da autonomia, que precisa existir. A inclusão deve vir automaticamente. A autonomia tem que estar à frente."

Além de todas as sensações proporcionadas pela bicicleta, Rodrigo destaca que o veículo é um meio de transporte que quase não faz barulho, o que permite que o deficiente visual sinta o ambiente no seu entorno. "Não é como um carro que interfere. Isso é muito prazeroso e quis levar essa experiência para outros deficientes."

Mas para que o sucesso do projeto seja ainda maior, ele precisa de ajuda. Atualmente, eles contam apenas com três bicicletas duplas. Uma de Rodrigo e duas cedidas pela loja Xororó Bike Center. "Estamos precisando de mais bicicletas. Gostaríamos de pedir a ajuda. Quem tiver bicicleta dupla e puder nos ceder a bicicleta ou participar como voluntário, estamos precisando."

Os interessados podem entrar em contato direto com o Instituto Riopretense dos Cegos Trabalhadores pelo telefone (17) 3355-5000.

Inclusão

Além da questão da autonomia para os deficientes, o projeto servirá como um trabalho de inclusão e reinserção de jovens que estão na Fundação Casa. Em uma parceria com a instituição, três menores em recuperação serão selecionados para conduzir as bicicletas. O grupo irá até a fundação para dar a capacitação, ensinando sobre a condução, como descrever para o deficiente o que está acontecendo e a sincronia necessária entre quem pilota e quem está na parte traseira.

Para conhecer mais sobre o projeto, acesse a página no Facebook (www.facebook.com/Vai-na-frente-que-atrás-têm-gente-208123819816896).

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