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19/06/2018 - 18h24min

Para não cair

Evento no Sesc alerta sobre prevenção de quedas em pessoas idosas

Risco de queda cresce conforme envelhecemos. Sesc realiza a partir da próxima terça-feira, 26, uma semana dedicada à prevenção de tombos que podem representar riscos sérios à saúde

Jorge Etecheber/Divulgação É preciso praticar exercícios e se alimentar bem para evitar quedas e problemas mais sérios desencadeados por elas
É preciso praticar exercícios e se alimentar bem para evitar quedas e problemas mais sérios desencadeados por elas

Para muitos, a chegada à terceira idade é sinônimo de tranquilidade. De aproveitar a aposentadoria para curtir e descansar. No entanto, o envelhecimento traz algumas limitações e com essas mudanças o corpo passa a responder de forma diferente, levando às quedas. E o que pode parecer um simples todo para grande parte da população representa risco para aqueles que já passaram dos sessenta anos. Cair tem, como consequência, machucados, fraturas e, em alguns casos mais sérios, pode levar à morte.

De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), desde janeiro de 2016, a região de Rio Preto registrou quase quatro mil internações de idosos decorrentes de fraturas. Destes casos, 187 resultaram em óbito. A maioria destas fraturas é ocasionada por quedas ocorridas dentro de casa. Com o avanço da idade, os riscos de cair aumentam consideravelmente, seja por "armadilhas" nos ambientes que os idosos frequentam ou pelo nível de vulnerabilidade física de cada indivíduo.

Diante deste cenário, o Sesc Rio Preto realiza até na próxima semana, entre os dias 26 e 29 de junho, a Semana de Prevenção de Quedas, com uma programação especial que busca dar orientações para um envelhecimento com mais segurança, com atividades que abordam desde questões corporais até reflexões sobre o tema.

"Com o envelhecimento da população as quedas passaram a ser um problema de saúde pública com grande impacto na vida dos idosos, nas famílias e na sociedade. As quedas são o mais grave e frequente acidente doméstico e são definidas como um deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial com impossibilidade de correção à tempo hábil, e são determinadas por várias circunstâncias e fatores que comprometem a estabilidade", afirma o médico sanitarista Antônio Caldeira da Silva, presidente do Conselho Municipal do Direito do Idoso que participa de um bate-papo sobre o tema no encerramento da semana, no dia 29.

De acordo com Silva, a organização da casa contribui para mais de 50% das quedas de idosos. Elementos como iluminação inadequada, pisos escorregadios, tapetes soltos ou com dobras, degraus altos e estreitos, obstáculos no caminho, calçados inadequados e a falta de corrimãos em corredores, banheiros, escadas, são situações domésticas que favorecem as quedas. "Também as vias públicas mal conservadas, buracos nas ruas, calçadas irregulares são fatores importantes. É preciso reorganizar o ambiente doméstico, as cidades, o transporte urbano para que estes riscos sejam diminuídos."

Outro fator que contribui para as quedas é o uso de medicamentos, especialmente quando o idoso usa mais de quatro tipos, o que deve ser visto como um fator de alerta, diz Silva. "Remédios de uso cardiológico, diuréticos, antiarrítmicos, vasodilatadores são alguns dos que podem predispor as quedas. Algumas doenças como hipertensão arterial, diabetes melito, doenças neurológicas e osteomusculares que podem afetar a força muscular e o equilíbrio são fatores de risco importantes."

Fatores externos

Saindo dos fatores externos, também é preciso se atentar para a questão do corpo, diz Clóvis Aguiar, técnico de programação do Sesc. E quando entramos especificamente no assunto corpo, devemos nos voltar para as capacidades físicas. "É importante trabalhar flexibilidade, força e potência. Capacidades físicas que o idoso vai precisar, sobretudo, naqueles momentos em que vai buscar algo que está fora do alcance, não tem muita flexibilidade, e acaba caindo. Ou vai mudar de plataforma, sair de um nível para outro mais alto, e, por falta de força e flexibilidade também pode cair", explica.

E as próprias quedas são fatores determinantes. Uma ou mais quedas aumentam os riscos de novas quedas, tornando a situação uma espécie de bola de neve e levando a cenários cada vez mais graves, garante o médico. "Entre 20% e 30% dos 'caidores' (idosos com mais de duas quedas por ano) que sofrem alguma lesão apresentarão redução da mobilidade, da independência e aumento do risco de morte prematura."

Recuperação demorada

Por conta do próprio organismo, machucados e fraturas causados por quedas em idosos tendem a demorar mais para sarar, significando uma redução na qualidade de vida dos idosos, especialmente quando a situação envolve hospitalização, institucionalização e perda das funções e autonomia.

"Quando a queda promove dependência, restringindo o idoso ao leito, pode ocorrer a perda funcional das articulações como joelho, quadril, punhos, diminuição da força muscular, atrofia dos músculos, úlceras no corpo, deficiência respiratória e problemas de circulação. Todas estas situações, se não forem cuidadas, podem levar à morte do idoso", diz Silva, acrescentando que "caidores" têm o dobro da taxa de morte em comparação a não "caidores".

Exercícios e alimentação certa são importantes

Além de tomar cuidados básicos no dia a dia, idosos devem trabalhar suas capacidades físicas - flexibilidade, força e potência - como mais uma forma de prevenção. Segundo Clóvis Aguiar, técnico de programação do Sesc, a intenção com esse tipo de trabalho é fazer com que o indivíduo idoso sinta e torne mais seguro o desenvolvimento de uma tarefa diária.

E a principal recomendação é investir na prática de exercícios físicos, mesmo que eles não façam parte de seu histórico de vida desde sua época de jovem adulto. "O importante é entrar em um programa de atividades físicas. Esse programa pode ser qualquer um entre as mais diversas possibilidades existentes. Na água ou fora dela, individual ou em grupos. Independente de qualquer coisa, escolha um que você se identifique e goste mais. Na medida em que você vai se movimentando, você vai melhorando suas articulações, seus tendões, sua musculatura."

Para a melhora da força, Clóvis indica trabalhos resistidos. "Mais popularmente conhecidos como musculação. Já para a flexibilidade, o recomendado é o alongamento, que é uma capacidade física importante para qualquer indivíduo, especialmente para o idoso. Ele está muito ligado ao estímulo e quanto mais estímulo que você der para o seu corpo melhor. Para tarefas diárias, com um alongamento mais desenvolvido, a pessoa consegue realizar movimentos cotidianos de uma forma muito mais eficiente e sem riscos de lesões."

Alimentação

O idoso que quiser se prevenir também deve investir em uma alimentação balanceada e correta. "O idoso, principalmente quando vive sozinho, já não quer saber de cozinhar e acaba comendo alimentos rápidos e práticos, mas que não são os mais indicados para sua saúde", afirma a nutricionista Maria José Jafelice.

Eles acabam cortando de sua dieta coisas importantes como carne, fundamental fonte de proteína que contribui para a firmeza dos músculos. "Se acham que a carne é de difícil digestão, tente uma carne moída, coloque a carne em uma sopa. Procure opções, mas não corte das refeições diárias", diz Maria José.

Outro ponto importante é o cálcio, que deve vir de folhas verdes escuras. "O leite tem muito cálcio, mas nosso corpo não absorve. Prefira as folhas verdes escuras e castanhas."

Programação

Terça-feira, 26, e quarta-feira, 27, às 15h

  • Aula aberta "Cair" e Levantar Sem Se Machucar, com instrutores do Sesc
  • Atividade propõe aos participantes movimentos corporais que necessitam utilizar suas capacidades físicas
  • Grátis

Quinta-feira, 28, às 14h

  • Oficina Alimentos Que Sustentam, com a nutricionista Maria José Sanfelice
  • Conheça os alimentos importantes para o corpo e que são fáceis de preparar por meio de receitas simples e práticas
  • Grátis

Sexta-feira, 29, às 14h

  • Bate-papo Corpo Que Cai, com o médico Antonio Caldeira da Silva
  • Profissionais da área de saúde debatem e apresentam perspectivas que visam esclarecer e orientar os aspectos que influenciam e previnem a queda em idosos
  • Grátis

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