Diário da Região

    • -
    • máx min
11/07/2018 - 22h43min

UM PROJETO DO CORAÇÃO

HCM começa a construir o Hospital do Coração da Criança

Hospital da Criança e Maternidade de Rio Preto começa a por em prática plano para construção de unidade hospitalar de referência em cirurgias cardíacas infantis. Número de procedimentos deve triplicar

Johnny Torres 11/7/2018 Theo, 10 meses, que fez cirurgia no coração, com os pais, Sandro e Cristiane
Theo, 10 meses, que fez cirurgia no coração, com os pais, Sandro e Cristiane

Imagine descobrir que seu filho tem um problema de coração. "A gente fica apavorada e insegura. Até então estava se desenvolvendo normalmente. Meu chão desabou", desabafa Cristiane Sokei, professora (32), mãe de Theo, de 10 meses, que em março passou por uma operação para corrigir uma estenose pulmonar e a comunicação interventricular. Agora está bem.

Acontece que no Brasil milhares de crianças deixam de ser operadas por falta de centros especializados. Nem todas têm a oportunidade de Theo. Pensando nisso, a equipe de Cardiologia e Cirurgia Vascular Pediátrica do Hospital da Criança e Maternidade (HCM) quer criar o Hospital do Coração da Criança em Rio Preto. Atualmente a capacidade máxima do HCM é de 350 cirurgias cardíacas por ano - até o início de junho, foram feitas 207. Com o novo centro especializado, seria possível saltar esse número para mil e atender ainda mais crianças vindas de outras partes do País, diminuindo assim o sofrimento dos pacientes e da família.

De acordo com Ulisses Croti, cirurgião-chefe do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular Pediátrica do HCM, a cada 120 crianças nascidas, uma terá problema no coração - no ano passado 45 nasceram com algum problema em Rio Preto. No Brasil, foram 23.815. Desse total, aproximadamente 80% vão precisar passar por pelo menos um procedimento cirúrgico - são 19.052 crianças. Segundo o Ministério da Saúde, no entanto, de julho de 2017 até março de 2018 foram feitas 6.867 cirurgias. Resultado: a conta não fecha e muita gente fica sem tratamento. "A gente acredita que tenha aproximadamente 10 mil crianças por ano no Brasil com problemas no coração que não estão sendo atendidas", estima Croti.

Não raro, para conseguir algum tratamento para o filho, é preciso deslocar-se. Caso de Carlos Eduardo dos Santos, pedreiro de 35 anos, que largou mulher e os outros filhos em São Mateus, no Espírito Santo, para cuidar da filha Mariele, que passou por cirurgia aos três anos, em Rio Preto, porque nasceu sem as artérias que levam sangue ao pulmão. "Era para fazer a cirurgia com um ano, com três anos consegui marcar. Falaram para mim que aqui era um hospital muito bom. Foi muito importante porque muitas vezes a pessoa não tem capacidade financeira para manter o tratamento, bota no SUS."

As crianças de outros estados vêm parar em Rio Preto por meio da Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade ou, no caso dos convênios e particulares, por demanda espontânea. Muitas têm até liminares judiciais obrigando o atendimento. Na região, não há filas e o HCM absorve toda a demanda.

O Hospital do Coração da Criança está sendo esboçado pelos engenheiros que trabalham na Funfarme. "Deverão desenvolver o projeto porque já estão habituados com as normas exigidas pela Anvisa", explica Ulisses. Até o fim do ano, esse projeto deverá estar pronto e vai contemplar os custos para construção do espaço que contará com 200 leitos. A ideia inicial é que seja construído nas proximidades do HCM, para que a equipe da Unidade Geral dê suporte à Cardíaca.

Desde 2002, o HB e o HCM já operaram 4 mil crianças de vários estados do Brasil. "Por que Rio Preto, que já tem uma história tão forte com cardiologia, não pode ter também um Hospital do Coração da Criança?", diz Ulisses.

hospital cardíaco

A cada 120 crianças nascidas, uma vai ter cardiopatia. Em 2016, então, nasceram 23.815 pequenos com algum problema congênito no coração

Dessas, 19.052 (80%) precisaram fazer cirurgia. Entre julho de 2017 e março de 2018, no entanto, apenas 6.867 crianças conseguiram

Como será o Hospital

A ideia é que ele seja construído dentro do Complexo Funfarme e tenha 200 leitos. De 350 cirurgias em média por ano, o número deverá saltar para mil.

Maioria dos pacientes é do SUS

O serviço do HCM já vem sendo ampliado: em 2017 foram 309 cirurgias cardíacas - neste ano, a meta é chegar a pelo menos 350 e o espaço físico já existente também pode crescer. A equipe composta por cerca de 110 pessoas está sendo treinada para conseguir atender a mais pessoas. Atualmente, 80% dos pacientes provêm do SUS e o restante de convênios, modelo que deve permanecer no novo hospital. "O que o governo paga sempre é pouco, então o dinheiro que vem dos convênios ajuda a cobrir a despesa."

O plano é que o novo hospital fique pronto em um prazo de três a cinco anos. Com o projeto em mãos, a equipe vai procurar o Estado para obter financiamento. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde disse que considera a iniciativa importante para a assistência às crianças que necessitam de procedimentos cirúrgicos cardiológicos no Estado.

Quem precisa do serviço agradece pelas melhorias. A pequena Ester, de sete meses, passou por cirurgia no início de julho para corrigir atresia de duodeno - a pequena também nasceu com síndrome de down e estenose de traqueia, por isso passou mais de 100 dias de sua vida no hospital. "Eu fiquei muito contente de saber que minha filha teve oportunidade de nascer em um hospital referência porque para mim é o melhor hospital, ela está nas melhores mãos de equipe médico, de enfermeiros", acredita a mãe da menina, Helen Ventura Machado Landin Sagioneti. (MG)

 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso