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09/07/2018 - 19h31min

SAÚDE

Aumento de AVC no frio põe Rio Preto em alerta

Julho, em pleno inverno, quando o metabolismo acelera para deixar o corpo aquecido, é o mês com mais internações e mortes por acidente vascular cerebral na região de Rio Preto

Johnny Torres 6/7/2018 Gabriel Gouveia Florêncio,
16 anos, sofreu um AVC
na semana passada
Gabriel Gouveia Florêncio, 16 anos, sofreu um AVC na semana passada

As temperaturas mais baixas têm relação com o crescimento no número de casos de AVC. É o que aponta estudo que envolveu dados de mortalidades e dados de estações meteorológicas de 2002 a 2011 na cidade de São Paulo. A pesquisa mostrou que a temperatura média diária estava associada à mortalidade por AVC e que o risco relativo variou de acordo com a idade e o sexo - maiores de 65 anos têm mais chance de ter o problema.

Temperaturas abaixo de 15°C foram consideradas estatisticamente mais significativas, como as que serão apresentadas nessa semana, nesta terça a mínima prevista é de 12°, na quarta, de 10°.

Apontamento similar pode ser feito na região de Rio Preto. De acordo com dados do Departamento de Informática do SUS (Datasus), de 2013 a 2017 foram registrados 9.272 internações por AVC, 1.719 delas apenas entre os meses de junho e julho, em pleno inverno. Nos cinco anos, foram 116 mortes por AVC em julho, 19,5% a mais que o mês com a segunda maior incidência de óbitos (abril, com 97). 

Números da Cetesb apontam que de 2013 a 2017 os meses com temperaturas mais baixas em cada ano em Rio Preto foram os mesmos com maior número de internações por AVC: junho e julho.

A idade é fator determinante, como apontou o estudo: das 9.272 internações na região no período, 6.003 (64,7%) foram de pessoas acima dos 65 anos. Essa faixa etária também corresponde a 79% (792 casos) das 1.002 mortes.

Mariana Neves Marques Battaglini, neurologista chefe do Ambulatório de AVC do Hospital de Base, afirma que normalmente no inverno o metabolismo acelera para evitar a perda de calor. "As mãos e pés ficam frios porque estão na extremidade e ali está chegando pouco sangue. Para tentar contornar isso o metabolismo aumenta, os vasos sanguíneos se contraem. Automaticamente o coração precisa bombear com mais força esse sangue, que muitas vezes está mais grosso", explica.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

O sangue "engrossa" porque a tendência é beber menos água. Esse processo todo leva ao aumento da pressão arterial, incrementando o risco de acidente vascular cerebral. Outro fator relacionado que favorece a ocorrência é que o sangue mais grosso coagula com mais facilidade.

Na última semana, o estudante Gabriel Gouveia Florêncio Lapa, morador de Mendonça de 16 anos, sofreu um AVC. O pai, Luiz Carlos Florêncio Lapa, trabalhador autônomo de 46 anos, conta que a família nem desconfiava do que poderia acontecer quando os sintomas iniciaram. As causas da ocorrência serão melhor avaliadas pela equipe médica. 

Tudo começou com escurecimento da vista. "Quando voltava ao normal dava dor de cabeça. A gente achou que era por causa do óculos. Passou um tempo ele reclamou que o braço esquerdo, o rosto do lado esquerdo, a gengiva e a língua adormeceram", conta. A família achou que ele tinha dormido de mau jeito e que isso teria provocado o desconforto. Durante um jogo de bola, o braço não respondia aos comandos e depois ele começou a falar enrolado.

No HB, passando por exames, o menino não conseguia responder a perguntas simples, como para que serve o relógio e para que ia à escola. A obstrução da artéria tinha atingido a parte da fala. A ocorrência foi uma surpresa para a família, pois o menino pratica esportes e é saudável - tanto que os médicos antes nem pediam exames de rotina. Agora, Gabriel está bem - ele passou por uma série de exames, e está em casa, sem nenhuma sequela. 

Resista às 'tentações' do inverno

Mariana Neves Marques Battaglini, neurologista chefe do Ambulatório de AVC do HB, recomenda que a atividade física deve ser dosada tanto no calor quanto no frio. "Se alimentar melhor e tomar bastante água. Nesse momento a gente tem que ficar de olho na pressão", orienta.

Quem tem algum problema com a pressão arterial deve estar atento, fazendo a medição em casa e procurando o médico, se necessário, para troca do medicamento. "Comer comidas mais saudáveis, menos gordurosas." Ou seja: é preciso resistir à tentação do frio de ingerir alimentos mais "gordos", como feijoada.

No HB, todos os funcionários são treinados para reconhecer os sintomas do acidente vascular cerebral porque o rápido atendimento é decisivo para a melhora e a diminuição das chances de sequelas. De acordo com o Ministério da Saúde, os principais sinais de alerta são perda súbita de força ou formigamento de um lado do corpo (face e membros); dificuldade súbita de falar ou compreender; perda visual súbita em um ou ambos os olhos; súbita tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação; dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, são fatores de risco para o AVC: idade (pode acontecer em crianças, mas a chance aumenta quanto mais a pessoa envelhece); sexo e etnia (homens e negros têm maior chance de ter AVC); história de doença vascular prévia; doenças do coração; tabagismo; hipertensão arterial; diabetes; sedentarismo; dieta desequilibrada; colesterol; uso de álcool e drogas e utilização de anticoncepcional. (MG)

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