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04/07/2018 - 09h42min

O RETORNO

Pedro Cardoso volta com tudo aos palcos

No Rio de Janeiro, ator apresenta dois monólogos e ainda estreia espetáculo infantil ao lado da mulher, a atriz Grazziela Moretto

Divulgação Pedro Cardoso e Graziella Moretto estão juntos na peça infantil Nem Sim Nem Não
Pedro Cardoso e Graziella Moretto estão juntos na peça infantil Nem Sim Nem Não

Por mais de dez anos, Pedro Cardoso divertiu o público brasileiro ao interpretar o malandro Agostinho Carrara na série A Grande Família, na Globo. Acabado o programa, o ator decidiu dar um outro rumo a sua carreira, foi morar em Portugal com sua mulher e também atriz Grazziela Moretto, escreveu O Livro dos Títulos, e desenvolveu alguns espetáculos, os quais ele traz agora para temporada em São Paulo.

Sempre contando com a parceria de Grazziela, Pedro apresenta peças no Teatro Morumbi Shopping. Dois já são conhecidos do público, o monólogo O Autofalante, em cartaz até 24 de agosto, e Uãnuêi - Esta Noite se Improvisa, de 7 de julho a 26 de agosto, e ainda um infantil, este sim, uma novidade, Nem Sim, Nem Não - Uma Peça de Teatro Infantil Que Ninguém Pediu, também de 7 de julho a 26 de agosto.

Com os espetáculos sendo encenados no mesmo período, é de se imaginar que o ator tenha de fazer uma ginástica mental para separar tantos personagens. "Não é complicado habitar em diversos personagens diferentes, é como se eu jogasse em várias posições no campo", esclarece o ator. "Eu não trabalho o personagem, trabalho a história, é a história que me guia não o personagem."

Com essa explicação, Pedro mostra como consegue trabalhar espetáculos diferentes, criando até mesmo esse infantil Nem Sim Nem Não - Uma Peça de Teatro Infantil Que Ninguém Pediu. "Eu e Grazziela fizemos esse espetáculo que é sobre ponderação em educação", conta o ator, explicando que a peça "conta a história de duas casas, uma sem limites e a outra com muitos limites, sendo que qualquer dos extremos, na nossa visão, produz uma pessoa angustiada, tanto o extremo do sim, quanto o extremo do não". Assim, de forma lúdica, a dupla quer mostrar as consequências do radicalismo. E, como são vários personagens interpretados pelo casal, a solução foi utilizar diferentes aventais, que têm a assinatura da figurinista Giovanna Moretto.

Segundo Pedro, o espetáculo mostra como a forma com que as pessoas são educadas reflete no seu amadurecimento. "Temos a preocupação, eu e Grazziela, em falar o quanto deve ser temperado esse movimento educador, pois educação é também um modo de repressão, e não tem como não ser, e não é mau que seja, mas como toda repressão tem de ter o amparo da contestação", afirma o ator, dizendo que "há momento em que é sim e há momentos em que é não para a mesma pergunta". E conclui: "A fase mais inteligente da vida é a infância e a dificuldade que o adulto tem de falar com a criança é porque ele emburreceu, de uma certa maneira".

Pedro Cardoso fala enfaticamente de quem o influencia. "A Maria Clara Machado, digamos assim, é uma mestra para mim e para Grazziela, ela faz teatro para crianças sem nenhuma concessão à infantilidade nos temas, então, quando é para criança é, na verdade, para todo mundo", conta.

A outra parceria com Grazziela é a peça Uãnuêi - Esta Noite se Improvisa, com a qual a dupla de atores exercita improvisação. "O improviso é um exercício de humildade perante os temas e as preocupações do ambiente coletivo em que o artista está inserido", afirma, explicando que essa foi uma criação de sua mulher, "que veio com essa ideia de sugerir o tema para a plateia".

E, por ser um espetáculo sem um roteiro pré-construído, "surge de tudo no decorrer do tempo, a gente vai fazendo a cena e buscando um caminho, mas muitas vezes o improviso não dá em nada, entra em um labirinto, e a plateia fica esperando a gente atingir o objetivo pretendido. Isso tira do artista e da obra a aura de perfeição".

O terceiro espetáculo, que já está em cartaz, é O Autofalante, que conta a história de um homem que diz ter sido abordado por outro, que afirmou que os dois são a mesma pessoa. A partir daí, várias questões são levantadas. "Estou fazendo esse monólogo há quase 30 anos, mas o tema não me abandona, pelo contrário, apesar de ter sido escrito em um outra época, parece que escrevi agora, pois o que acontece com o personagem é atual."

No decorrer da trama, Pedro e seu personagem nos fazem entrar em contato com temas como o desamparo. "Trata-se de um homem que é expulso do mundo e que vai viver dentro de si mesmo, em uma versão mais radical do que era", explica. O ator aproveita para enfatizar a importância do teatro para ele. "Para mim, é incrível fazer esse milagre, ou seja, extrair de um tema triste algo alegre, que é o encontro do público." E brinca, "é como o enterro de uma pessoa legal, pode ser divertido" (risos).

Encerrando a entrevista, Pedro Cardoso aborda o tema da volta à televisão, e é categórico. "Não tenho nenhuma esperança de voltar para a TV. O que passei foi muito revelador e traumático, pois, após 15 anos em um programa muito querido com um personagem também muito querido, nenhum empresário se interessou em saber o que eu tinha a oferecer", lastima. Mas o ator deixa claro que sua ida para Portugal foi por encontrar nesse país um estado mais bem organizado, que proporciona uma vida mais tranquila.

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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