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08/07/2018 - 00h30min

FIT 2018

Adeus, Palhaços Mortos lança um olhar na tradição high tech

Espetáculo que a Academia de Palhaços, de São Paulo, apresenta no FIT 2018 lança um olhar contemporâneo e tecnológico sobre o teatro popular

Victor Iemini/Divulgação Espetáculo Adeus, Palhaços Mortos, da Academia de Palhaços, faz parte do FIT 2018
Espetáculo Adeus, Palhaços Mortos, da Academia de Palhaços, faz parte do FIT 2018

A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Na relação estabelecida pela Academia de Palhaços, de São Paulo, com a peça Um Pequeno Trabalho para Velhos Palhaços, escrita pelo poeta e dramaturgo romeno Matéi Visniec em 1986, essa é uma questão difícil de ser respondida, pois as similaridades entre a obra e a trajetória do grupo são muitas.

Intitulado Adeus, Palhaços Mortos, após a adaptação feita por José Roberto Jardim, responsável pela direção, o espetáculo marcou, em 2016, a retomada da companhia paulistana após um incidente que colocou em xeque a continuidade de seu trabalho artístico, que tinha como principal referência o circo e a cultura popular.

Em 2015, uma espécie de "kombi-palco" em que eram apresentados os cinco espetáculos do repertório da Academia de Palhaços pegou fogo, queimando cenários, figurinos e equipamentos. Na época, dois dos cinco integrantes do grupo desistiram do teatro, e os três que restaram - Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio -, após um ano sabático, acabaram convidando Jardim para um novo trabalho.

"A peça de Visniec me pareceu a melhor forma para a Academia de Palhaços retornar às atividades porque ela questiona o próprio ofício do artista", destaca o diretor, que traz Adeus, Palhaços Mortos para o Festival Internacional de Teatro de Rio Preto (FIT) após uma trajetória marcada por inúmeros prêmios e participações em eventos internacionais.

A peça conta a história de três velhos artistas circenses que se reencontram, depois de muito tempo, na antessala de uma agência de empregos, para disputar uma única vaga de trabalho. Desse reencontro, amizades, segredos e vilanias voltam à tona, fazendo do texto de Visniec uma profunda reflexão sobre o ofício do artista e também sobre uma sociedade pra lá de competitiva. Por meio dos três personagens, que tiveram muito prestígio no passado, o dramaturgo cria o embate entre o novo e o velho, entre a arte e o mero entretenimento.

Adeus, Palhaços Mortos foi, literalmente, um divisor de águas na história da Academia de Palhaços, pois a tradição da arte popular trava um diálogo direto com a contemporaneidade tecnológica na encenação concebida por Jardim. Ou seja, o espetáculo nasceu do encontro de um coletivo e de um diretor com perspectivas estéticas bem distintas em sua pesquisa artística. "O grupo tem um estudo muito profundo na máscara do teatro popular, enquanto eu sou mais contemporâneo", diz o diretor.

Arte e tecnologia

O resultado desse encontro é um trabalho artístico que busca novos e modernos caminhos para mexer com a atenção do público. Toda a ação se desenvolve dentro de um cubo transparente em que são projetadas luzes e imagens. Vozes distorcidas e ruídos eletroacústicos ajudam a consolidar o conceito do teatro do absurdo, já que Visniec é considerado sucessor de Eugène Ionesco (1909-1904).

"Gosto de trabalhar esse teatro mais plástico, que não é apenas teatro. Para usar esses artifícios tecnológicos em cena, tive que buscar profissionais e técnicos mais conceitais. Tanto que a equipe que trabalhou em Adeus, Palhaços Mortos já participou de mais quatro projetos comigo", comenta Jardim.

O espetáculo teve a contribuição de Tiago Mello, um dos expoentes da música experimental eletroacústica no País; do Coletivo BijaRi, grupo de arquitetos, artistas visuais e vídeo-makers especializados em instalações e mapping; do estilista Lino Villaventura; e do visagista Leopoldo Pacheco.

Para Jardim, enquanto Visniec utiliza o teatro para subverter o próprio teatro, Adeus, Palhaços Mortos utiliza a tecnologia para subverter a própria tecnologia, colocando a arte em sintonia com a velocidade do mundo contemporâneo. "As pessoas hoje não querem ver um filme de Pasolini (diretor, poeta e escritor italiano), elas querem ver Netflix, querem ver produções em que as ações se desenvolvem de maneira muito rápida. É com essa realidade que buscamos dialogar, trazendo essa coisa ingênua do palhaço para um mundo ultra fragmentado", pontua o diretor.

Serviço

  • Adeus, Palhaços Mortos, da Academia de Palhaços (São Paulo). Hoje e amanhã, às 21h30, no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto (Av. Brigadeiro Faria Lima, 5381). Ingressos esgotados

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