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11/07/2018 - 00h30min

Meditação é vida

Ex-monge, treinador ensinou garotos a meditar na caverna

Entenda como a prática milenar, que promove foco, concentração e controle emocional, manteve os meninos e o treinador vivos na caverna da Tailândia

Pixabay/Divulgação Ex-monge budista, treinador que acompanhava os meninos ensinou técnicas de meditação para manter o grupo fortalecido
Ex-monge budista, treinador que acompanhava os meninos ensinou técnicas de meditação para manter o grupo fortalecido

Na manhã desta terça-feira, 10, o mundo celebrou o resgate bem-sucedido dos 12 garotos, de 11 a 17 anos, e do técnico de time de futebol juvenil, de 25 anos, na caverna inundada no extremo norte da Tailândia, onde estavam por mais de duas semanas. A missão complicada e perigosa para salvar o grupo, que contou com mergulhadores estrangeiros e tailandeses, foi encerrada com sucesso.

Todos os resgatados passam bem, estão felizes e isolados em um hospital localizado na província de Chiang Rai, onde ficarão internados por causa do risco de infecções. No dia que foram encontrados, eles pareciam calmos, mesmo depois de terem ficado sem comida por nove dias e presos em um bolsão.

A meditação foi um dos motivos para os garotos e o treinador assistente do time Javalis Selvagens se manterem vivos na caverna na Tailândia, segundo especialistas. O técnico Ekapol Chanthawong foi muito criticado por ter levado os garotos até o local, mas também tem sido elogiado por ajudar na sobrevivência das crianças. Para os pais, ele está sendo visto como um protetor espiritual dos meninos.

Durante os dias que ficou na caverna, Chanthawong ficou de jejum e cedeu a parte do seu alimento aos garotos. Ex-monge budista, ele é adepto da meditação e estimulou os jovens a praticar a técnica milenar, que ajuda a disciplinar e acalmar a mente, trazendo conforto emocional e aumentando a capacidade de concentração. Para praticar é necessário estar em silêncio, sentando na posição de lótus, que basicamente é manter a coluna reta e as pernas cruzadas, sem atividade na mente.

O objetivo foi tentar mantê-los psicologicamente fortes até que pudessem deixar o local em segurança. Durante os dias que ficaram presos, os jovens e treinador experimentaram vários sentimentos como medo, descontrole, ansiedade, tensão, confusão e insegurança. Com a ajuda da meditação, eles conseguiram ter controle emocional, que evitou que danos psicológicos pudessem piorar ainda mais a situação dos 13 atletas.

A psicóloga e instrutora de meditação Etienne Janiake, que ensina a prática para crianças e adolescentes em Rio Preto, afirma que em situações extremas, mais do que nunca, é necessário manter a calma e o equilíbrio emocional para que se possa lidar de forma hábil com as condições a serem enfrentadas. "Entretanto, sem o desenvolvimento da habilidade de gerenciar a própria mente, somos tomados por mecanismos instintivos de reação, que comprometem nossas funções analíticas e decisórias, tão essenciais em um momento crítico de luta pela sobrevivência."

A meditação, segundo Etienne, ajuda a diminuir as reações instintivas, ligadas a ativação intensa da amígdala cerebral e ao aumento da adrenalina, ativando as funções executivas do néocortex, fazendo com que não sejam tomadas pelo medo ou desespero e as pessoas possam agir, frente a qualquer desafio, com a plenitude da mente e corpo.

Assim como as jovens meditaram na caverna, todas as pessoas são capazes de meditar, uma atitude que pode ser tomada em qualquer lugar. A instrutora de meditação afirma que desde bebês é importante que as crianças possam vivenciar momentos de silêncio e contemplação, na companhia dos adultos. "Pela minha experiência vejo que práticas meditativas sistemáticas podem ser inseridas no cotidiano de crianças a partir dos três anos de idade."

Visivelmente magros e fracos, os garotos apareceram sorrindo no primeiro filme divulgado na impressa. Etienne explica que a forma como as pessoas lidam com o mundo interno, os pensamentos e sentimentos, determina em grande parte a qualidade da experiência de vida. "Isso fica claro quando vemos pessoas passando pelos mesmos desafios e reagindo de formas completamente distintas, algumas com mais habilidade e equilíbrio, e outros com mais confusão e sofrimento."

A meditação é um processo de estudo e cultivo das qualidades positivas da mente, que oferece um auxílio para o desenvolvimento de uma forma equilibrada de lidar com o mundo interno. "Estudos científicos apontam benefícios cerebrais tangíveis com oito semanas de prática continua."

 

Como começar a meditar

Mara Sousa 21/2/2018 Psicóloga e instrutora de meditação, Etienne Janiake coordena aulas para crianças
Psicóloga e instrutora de meditação, Etienne Janiake coordena aulas para crianças

Os benefícios da meditação para o bem-estar e a saúde são inúmeros. Vários estudos comprovam que transformar a meditação em um hábito regular, ajuda o físico e o emocional. Para meditar é preciso sentar-se, relaxar o corpo, ficar quieto e em silêncio, respirar e acalmar a mente.

Paulo Carvalho, facilitador do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), em Rio Preto, afirma que o primeiro passo para praticar a meditação é a compreensão daquilo que a prática não é. "Muitas pessoas perdem o interesse pela meditação por desconhecê-la. Nas primeiras tentativas frustradas e pela compreensão equivocada, muita gente a deixa de lado. É preciso se sentar adequadamente fisicamente. Uma postura desajustada já complica logo o início."

Outra ideia falsa é de que para meditar tem haver com parar a mente. "Isto é impossível. A ideia de início é que a pessoa consiga através de uma observação simples, como por exemplo, observando o ritmo da respiração, permanecer com o olhar no momento presente sem ser arrastado pelos pensamentos. No começo, obviamente, isto vai ser mais difícil. Mas não tem problema. Mesmo quando acontecem pensamentos que a leve para longe, para uma preocupação cotidiana, assim que a pessoa percebe isso, ele simplesmente pode, de uma maneira gentil consigo mesma, voltar a sua atenção para a sua respiração e tempo presente."

 

Busca de equilíbrio em Rio Preto

Quanto mais agitado o cotidiano, mais ele justifica a prática da meditação. Paulo Carvalho, facilitador do CEBB, sugere que as pessoas procurem grupos de meditação, independente das vertentes. "Meditar sozinho sem orientação alguma também acaba sendo um pouco difícil. Não é impossível. Mas as pessoas acabam desanimando porque acabam encarando como dificuldade aquilo que é super natural. Às vezes, ela faz uma prática e por uma autoavaliação, ela acha que a prática não foi boa."

O CEBB conta com uma programação semanal de meditação. Outro local tradicional que promove atividades em Rio Preto é o espaço Om Shanti, localizado no Vila Aurora. O instrutor de yoga e meditação, Salvador Hernandes, vai coordenar no local a palestra Meditação e Saúde nos dias 31 de julho, e 6 de agosto, às 20h. A entrada é um quilo de alimento não perecível.

Hernandes afirma que a palestra antecede um curso formado por um bloco de 10 aulas. O instrutor afirma que promove várias ações de meditação e realiza encontros para que as pessoas tenham acesso as informações, com foco na meditação ligada a saúde. "Temos muita procura. É uma forma de complementar alguns atendimentos terapêuticos e médicos. A meditação é uma ferramenta para a gente encontrar equilíbrio dentro da gente mesmo, diante de todo o caos da cidade, do estresse da rotina e da crise na política nacional."

A terapeuta Janaiza Debiagi é personal da meditação em Rio Preto. Ela criou o projeto Medite-se, em que promove sessões individuais de 45 minutos e também apresentação de técnicas teóricas e práticas para inserir a meditação no dia a dia das pessoas. A atividade, promovida no Vila Vidya - Yoga e Terapias, localizado no Santos Dumont, é voltada para a pessoa que quer meditar de forma instruída e direcionada.

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