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08/07/2018 - 00h00min

ALERTA!

Médico fala sobre os riscos da automedicação

A cada hora, três brasileiros se intoxicam com uso incorreto de medicamentos

Pixabay/Divulgação Automedicação
Automedicação

Um comprimido aqui para aliviar uma dorzinha de cabeça no meio do dia, um outro ali para uma dor no corpo depois da academia e assim vai. Quase impossível encontrar quem nunca tenha se automedicado. Uma vez ou outra, tudo bem. O problema é que, como todo remédio tem efeito colateral (basta ler a bula para ficar assustado), a mania de tomar sempre por conta própria traz um risco muito grande.

Os medicamentos são a principal causa das intoxicações registradas no Brasil, seguidos por produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados, segundo dados da Anvisa e do Sistema Nacional de Informações Toxicológicas (Sinitox). A cada hora, três brasileiros sofrem por intoxicação causada por medicamentos, na maior parte das vezes consumidos sem a orientação de um médico ou farmacêutico.

Uma pesquisa realizada recentemente com 8 mil usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em 272 cidades do Brasil mostrou que 10% dos pacientes usavam cinco ou mais medicamentos por dia. Esse consumo indiscriminado pode causar efeitos indesejáveis e trazer sérios riscos à saúde que 5 de maio foi escolhido como "O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos", para conscientizar a população quanto aos riscos da prática.

"Sem dúvida existe o risco. Qualquer tipo de medicamento tem seus efeitos benéficos, mas tomar um remédio sem o devido conhecimento pode ocasionar algum risco à saúde", diz o médico Carlos Alberto Caldeira Mendes, do Serviço de Emergência Clínica e UTI do Hospital de Base de Rio Preto, coordenador do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox). "Existe o risco de interação de medicamentos onde um pode anular ou potencializar o efeito do outro, de toxicidade ou até de atrasar um diagnóstico. Você pode tomar um analgésico para dor de cabeça e mascarar um tumor", explica a farmacêutica bioquímica da Unimed Rio Preto Andreia Bellentani Pitarelli.

"O remédio que achamos que é o certo para nosso alívio pode até resolver no momento, mas também pode trazer uma série de outras complicações no futuro. Isso porque, se você não é um profissional da saúde, não conhece as especificidades de cada medicamento e as necessidades do organismo quando está com alguma dor ou doença" explica a médica Patrícia Filgueiras dos Reis.

Camuflagem de sintomas

Entre os problemas que a automedicação indiscriminada esconde, estão os remédios que camuflam os sintomas, mas não curam a doença, como alguns fármacos usados para rinite e anti-inflamatórios em geral. "É comum que pessoas façam uso desses medicamentos achando que estão resolvendo o problema, quando na verdade ele pode estar piorando e tendo os seus sintomas atenuados", explica Patrícia dos Reis.

Muitas vezes, um remédio pode cortar o efeito de outro. "Isso acontece com alguns tipos de antibióticos e anticoncepcionais. Varia de caso para caso, mas pode acontecer do primeiro medicamento inibir o efeito do segundo, que é de uso contínuo", diz a médica. 

Algumas interações

  • Anticoncepcional + vitamina C (acima de 1 g) = Aumento dos níveis do hormônio, contido na pílula, no sangue
  • Anticoncepcional + anti-inflamatório ou antibiótico = Perda da eficácia, aumento da chance de gravidez
  • Leite + antibiótico (Ampicilina tetraciclina) = Redução do efeito
  • Paracetamol + anti-inflamatórios não esteroides = Potencializa os efeitos terapêuticos, bem como os tóxicos.
  • Ácido acetilsalicílico + anticoagulantes = aumento do risco de sangramento.
  • Ácido acetilsalicílico + bebida alcoólica = aumento do dano à mucosa gastrintestinal e prolongamento do sangramento.
  • Ácido acetilsalicílico + analgésicos anti-inflamatórios não-esteroides = aumento do risco de hemorragias.

Fonte: Conselho Regional de Farmácia-SP

Quatro riscos da automedicação

  • Causar intoxicação
  • Mascarar sintomas de doenças graves
  • Cortar ou potencializar o efeito de outras medicações
  • Tornar o organismo resistente a tratamentos

Fonte: Adriano Ribeiro, farmacêutico

Resistência e dependência

Quando fazemos uso frequente do mesmo medicamento, o organismo pode criar resistência ou dependência daquele determinado princípio ativo. Além disso, nem sempre conhecemos a causa do sintoma. "Muitas vezes, uma dor comum pode ser algo mais sério e precisar de um tratamento específico. Por isso a importância de consultar um médico antes de comprar qualquer medicamento", diz a médica Patrícia Filgueiras dos Reis. É claro que devemos, se o soubermos tomar algumas medicações sintomáticas numa situação repentina. Por exemplo, se tivermos um pico febril ou uma dor de cabeça isolada, devemos tomar o analgésico e antitérmico que estamos habituados a usar nestes casos e observar a evolução do quadro. Se os sintomas persistirem, busque auxílio profissional. "Diante de qualquer sintoma, o melhor a fazer é procurar um médico. Mas o farmacêutico também cumpre um papel importante, pois está capacitado para informar o consumidor sobre os riscos potenciais relacionados ao uso dos medicamentos. Ele é o último profissional a entrar em contato com o paciente antes do início do tratamento, portanto sua ajuda é essencial", diz a farmacêutica Thais Pereira.

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