Diário da Região

    • -
    • máx min
03/07/2018 - 00h30min

SAÚDE

Agrotóxicos: conheça os riscos e os efeitos para o seu corpo

Projeto que flexibiliza o uso de agrotóxicos no País pode tornar os alimentos que você ingere ainda mais nocivos a sua saúde; conheça os riscos para seu corpo

Fotos: Pixabay/Divulgação Produtos atualmente vetados pela lei passariam a ser permitidos em todo o País
Produtos atualmente vetados pela lei passariam a ser permitidos em todo o País

Enquanto alguns países caminham em direção a uma agricultura mais saudável e de qualidade, se distanciando do uso de agrotóxicos e investindo pesado na produção de alimentos orgânicos, o Brasil segue no sentido oposto. Na última semana, a comissão especial da Câmara dos Deputados, que analisa o Projeto de Lei 6299/02 que trata do registro, fiscalização e controle dos agrotóxicos no país, aprovou o parecer do relator, deputado Luiz Nishimori (PR-PR), por 18 votos a favor e 9 contrários, que flexibiliza o uso de agrotóxicos no país.

O PL troca a palavra "agrotóxico" por "pesticida". Com a aprovação futura, ele concentra poderes no Ministério da Agricultura para a aprovação de novos produtos e prevê a adoção de uma tabela de grau de risco para novas substâncias no Brasil, permitindo que produtos hoje vetados pela lei atual - por conterem substâncias cancerígenas, teratogênicas (que causam malformações) e mutagênicas (que provocam mutações genéticas) - passem a ser analisados conforme um grau de tolerância.

Pela lei atual, a simples "identificação do perigo" de uma substância causar mutações, câncer ou desregulação hormonal, por exemplo, já é suficiente para que o produto seja proibido. O PL abre a possibilidade para que haja o registro dessas substâncias após uma "análise de risco" que aponte possíveis doses seguras. Só ficaria proibido algo que apresente "risco inaceitável".

Mesmo com o controle existente, aproximadamente um terço dos vegetais consumidos no Brasil apresentam níveis muito acima do aceitável de agrotóxicos, segundo análise feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Grande parte dos alimentos que consideramos saudáveis, como verduras, legumes e frutas, está coberta de substâncias que podem fazer mal para a sua saúde.

Segundo a nutricionista Natália Mattos, técnica na Ecofam, Associação de Agricultura Familiar, o uso de agrotóxicos no cultivo de alimentos modifica até o valor nutricional dos alimentos. "Eles possuem um desenvolvimento natural que depende da vida e dos nutrientes que estão presentes no solo. Quando utilizamos agrotóxicos, matamos o solo e, consequentemente, a sinergia nutricional dos alimentos, além de afetar seu aspecto e sabor. Para resumir cito a frase da agrônoma Ana Primavesi, pioneira no Brasil no cultivo agroecológico, que diz: solo doente, planta doente, homem doente."

E esse é só o começo de uma cadeia, afirma Natália. "Em algumas regiões, até mesmo no leite materno já é possível identificar traços de vários tipos de agrotóxicos. Os animais de confinamento que recebem rações com alimentos tratados com agrotóxicos também possuem resíduos na carne que consumimos. E além dos riscos para a saúde, o meio ambiente também é afetado, claro."

Os riscos apresentados variam de problemas mais instantâneos a doenças mais sérias que resultam do consumo em longo prazo, afirma a nutróloga Ana Valéria Ramirez. "Os Agrotóxicos são substâncias extremamente tóxicas para o nosso organismo, pois esses produtos possuem características cancerígenas, mutagênicas e teratogênicas, que variam em decorrência ao tempo e quantidade de exposição que temos a elas. O mais comum que identificamos são os problemas de curto prazo, como intoxicação após a ingestão de alimentos contaminados, causando vômitos, diarreia, vertigens, entre outros. Já as consequências de longo prazo incluem mudanças hormonais com grande probabilidade de desenvolvimento de problemas neurológicos, afetando diretamente a fertilidade."

A lista é dos efeitos é bastante extensa e muitas vezes as pessoas não fazem ideia da causa nos agrotóxicos. "Eles podem levar ao desenvolvimento de doenças neurológicas, respiratórias, hepáticas, renais, cânceres, alergias, além de malformação no feto, alterações hormonais e esterilidade em homens e mulheres. No entanto, como essas complicações acontecem em longo prazo muitas vezes não são associadas ao consumo de agrotóxicos, pois ingerimos pequenas doses diárias que, no passar dos anos, trarão consequências", diz Natália.

Consumo

A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que há uma quantidade que é considerada segura para a saúde. Esse cálculo é feito considerando os valores diários aceitáveis, afirma o nutricionista Rafael Soares.

O problema, segundo Natália, é que esses produtos são vendidos quase sempre sem fiscalização, os agricultores acabam muitas vezes utilizando doses maiores que as recomendadas para potencializar os efeitos na produção e o sistema produtivo, com o passar do tempo, fica cada vez mais dependente enquanto as culturas e as pragas a serem combatidas desenvolvem resistência ao veneno.

"Assim os produtos comercializados podem, facilmente, ter a quantidade de resíduos muito maior que o recomendado, fato comprovado pelo relatório da Anvisa em 2013, que identificou quase 40% das amostras de alimentos continham quantidades acima do recomendado."

Entre as recomendações feitas pela própria Anvisa está a higienização dos alimentos com água corrente, uma atitude que ajuda, mas não resolve, garante Rafael. "Lavar pode ajudar até certo ponto. A lavagem dos alimentos em água corrente só poderia remover parte dos resíduos de agrotóxicos presentes em sua superfície. Os agrotóxicos sistêmicos e uma parte dos de contato, por terem sido absorvidos por tecidos internos da planta, caso ainda não tenham sido degradados pelo próprio metabolismo do vegetal, permanecerão nos alimentos mesmo que eles sejam lavados. Neste caso, uma vez contaminados com resíduos de agrotóxicos, estes alimentos levarão o consumidor a ingerir resíduos."

A alternativa, segundo o nutricionista, são os alimentos orgânicos. "Porém, a quantidade produzida de orgânicos não supre toda a nossa população."

Também ajuda consumir alimentos de época e que você saiba a procedência. "Prefira alimentos do comércio local, pois quanto maior a distância viajada por um alimento, maior durabilidade eles devem ter, e, para isso, são utilizados além dos agrotóxicos, diversos tratamentos químicos", completa Natália.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso