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07/07/2018 - 00h30min

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Hepatites virais e álcool estão entre as causas de câncer de fígado

Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica alerta: 20% dos brasileiros não conhecem o câncer de fígado, e isso reflete muito na prevenção da doença

Pixabay/Divulgação O câncer de fígado é o sexta doença que mais ocasiona mortes no Brasil
O câncer de fígado é o sexta doença que mais ocasiona mortes no Brasil

Na lista de tumores mais letais do Brasil, entre diversos conhecidos da população, como os cânceres de pulmão e mama, está um subtipo que passa completamente despercebido pela maior parte dos brasileiros: o câncer de fígado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), 20% das pessoas não conhecem a doença, que, mesmo não figurando entre as dez formas de câncer mais incidentes, é a sexta que mais mata no País.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, a taxa de mortalidade da doença (4,33 a cada 100 mil habitantes) é quase tão alta quanto a de cânceres muito mais incidentes e de maior reconhecimento por parte da população, como o de próstata – que corresponde a quase 32% de todos os tumores em homens e tem uma taxa de mortalidade muito similar (6 a cada 100 mil habitantes).

De acordo com a oncologista Anelisa Coutinho, diretora da SBOC, vários são os fatores relacionados ao surgimento do câncer primário do fígado, incluindo desde a ingestão alcoólica até vírus de hepatites. Portanto, na maioria dos casos, o tumor já surge em um fígado doente. O conhecimento desses fatores e o acompanhamento regular dos pacientes de risco certamente podem ajudar a reduzir a letalidade do câncer de fígado.

"O ciclo de prevenção ao câncer pode iniciar na sua forma primária, que consiste em adotar hábitos saudáveis; sendo também muito importante a detecção precoce, com realização de exames preventivos para detectar a doença em sua fase inicial e, por vezes, ainda assintomática. O cenário brasileiro atual deixa a desejar nos dois momentos do ciclo de prevenção e detecção precoce e, quando tratamos de câncer de fígado, os resultados tendem a ser piores com o diagnóstico tardio", explica. 

Os tumores de fígado são divididos em dois tipos: os cânceres que surgem no próprio fígado ou os metastáticos, que se formam em outras partes do corpo e se espalham através da corrente sanguínea. Quando o desenvolvimento do tumor começa no fígado, quatro em cada cinco casos são de hepatocarcinomas, que possuem alta relação com fatores de risco de fácil prevenção, como o consumo exagerado de álcool e as hepatites C e B - cuja vacina está disponível aos brasileiros no SUS.

"Neste sentido, a avaliação de que 14% da população ignora que vacinas contra hepatite B podem evitar o desenvolvimento da doença e um terço não sabe que bebidas alcoólicas podem causar câncer impressionam. Seriam formas simples de evitar complicações graves à saúde", explica Anelisa.

Outra característica dos hepatocarcinomas é que eles são muito mais prevalentes em homens do que em mulheres: três em cada quatro casos acometem a população masculina. Entretanto, mesmo constituindo um relevante grupo de risco, os homens possuem números muito superiores quanto às lacunas nas prevenções primária e secundária: 16% não sabem da importância da vacina contra hepatite na luta contra o câncer e mais da metade deles (53%) ainda bebe, sendo que cerca de metade deles (24%) bebe pelo menos duas vezes por semana.

Já o câncer de fígado metastático tem maior incidência que os tumores que surgem diretamente no órgão – cerca de 20 vezes –, tendo relação com outros tipos de cânceres, como mama, pulmão, colorretal, pâncreas, esôfago e estômago. "Essa grande prevalência das metástases em fígado é também decorrente do fato de ser um órgão amplamente irrigado, sendo o sangue um veículo das células cancerígenas a partir dos tumores originários. Logo, para diminuirmos a incidência do câncer em geral, é crucial que falemos sobre os fatores de risco da doença. De modo geral, é importante que o brasileiro entenda que deve levar a vida de uma maneira saudável, evitando fumar, se alimentando adequadamente, fazendo exercícios, não consumindo álcool em excesso, tomando as vacinas recomendadas e disponíveis no SUS, indo ao médico e realizando exames preventivos", diz.

Governo quer eliminar hepatite C até 2030

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A estratégia prevê a redução das etapas para o diagnóstico da doença e a ampliação da testagem em grupos considerados prioritários

Divulgação Teste rápido é uma das formas para agilizar o diagnóstico das hepatites virais
Teste rápido é uma das formas para agilizar o diagnóstico das hepatites virais

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Em meio às queixas de associações de falta de medicamentos para atender novos pacientes, o Ministério da Saúde anunciou o lançamento de um plano para eliminar a hepatite C até 2030. A estratégia prevê a redução das etapas para o diagnóstico da doença e a ampliação da testagem em grupos considerados prioritários (como pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes que fazem diálise, usuários de drogas e bebês de mães que têm hepatite C).

A previsão é atender 50 mil pacientes por ano, entre 2019 e 2024. Este ano devem ser entregues tratamentos para 19 mil pacientes. O quantitativo agora anunciado pelo ministério, no entanto, é bem menor do que o divulgado em 2017. Ano passado, a pasta já havia firmado o compromisso de ofertar pelo menos 50 mil tratamentos anuais, começando em 2018.

A diretora do Departamento de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, atribui a mudança do cronograma e a redução das metas para este ano ao atraso na publicação de um documento que seria indispensável para o início do processo de compras, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas. O manual, com indicações de como deve ser feito o tratamento, foi lançado em março.

Integrante do grupo Otimismo, Carlos Varaldo afirmou haver um número considerável de pacientes que tem o diagnóstico de hepatite C e indicação de tratamento, mas que, até agora, não recebe os remédios necessários. Já Adele afirma que uma compra de 8 mil tratamentos foi feita para atender à demanda imediata e os medicamentos deverão ser entregues no prazo de um mês. Ela assegura ainda que um processo de compra para 50 mil tratamentos será iniciado em breve. Desse montante, 20 mil seriam entregues este ano e o restante, em 2019.

Mortes

Ano passado foram identificados 24.460 pacientes com hepatite C. No ano anterior, foram 28.397 casos. A doença é mais comum em pessoas com mais de 40 anos e pode provocar cirrose e câncer.

A diretora afirma que atualmente 325 mil pessoas no País têm hepatite e não sabem. Entre 2000 e 2016, o Brasil registrou 23 mil mortes por hepatite C.

Atenção às hepatites virais

Entre os fatores que levam ao câncer de fígado, as hepatites virais despontam-se como os principais, seguida do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, que pode ocasionar uma cirrose e, consequentemente, acarretar tumores ao segundo maior órgão do corpo humano. Sendo assim, adotar hábitos de vida mais saudáveis é a principal forma de prevenção.

Segundo a oncologista Rachel Riechelmann, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o surgimento do câncer de fígado acontece quando a hepatite viral vira crônica. Isso pode levar alguns anos. "No Brasil, a hepatite viral que mais comumente está associada ao câncer de fígado é a hepatite C", sinaliza. A hepatite B também está relacionada a esse tipo de tumor.

Para a hepatite B, Rachel informa que há vacina disponível na rede pública de saúde. "A hepatite B é contagiosa, pois o vírus pode ser transmitido através do sangue, sêmen ou secreções vaginais. No entanto, é possível ficar protegido contra a infecção quando se toma a vacina contra a hepatite B", orienta.

Já para hepatite C, não há vacina ainda. "Esse tipo de infecção também pode ser transmitida pelo sangue ou instrumentos contaminados com sangue, como seringas e alicates de unha. Em menor proporção, pode ser transmitida por relações sexuais. A melhor forma de prevenir hepatite C é usar preservativos e não se expondo a instrumentos contaminados por sangue", destaca a oncologista.  

Outra forma de prevenção de câncer de fígado, segundo a oncologista, é evitar o uso abusivo de bebidas alcoólicas.

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