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08/07/2018 - 00h00min

VALE DO CAFÉ

Fazendas agregam valores turísticos ao plantio e à colheita desse grão

A proposta é que as pessoas estejam na fazenda durante a safra, e se integrem ao processo, colhendo alguns grãos

Divulgação Vista da Fazenda Alliança, em Barra do Piraí: volta aos tempos coloniais
Vista da Fazenda Alliança, em Barra do Piraí: volta aos tempos coloniais

Não é exatamente um retorno ao passado. Mas, das cerca de 200 fazendas que existem no Vale do Café, quatro - Alliança e Taquara (as duas em Barra do Piraí), União (Rio das Flores) e Florença (Conservatória, distrito de Valença) - voltaram a cultivar o grão desde que, há dois anos, o Sebrae-RJ iniciou um projeto na região. Como estão abertas à visitação, não é necessário se hospedar para conhecê-las.

A Fazenda Alliança tem 6 mil pés de café, e a primeira colheita está prevista para este ano. O visitante, se quiser, pode "adotar" um pé, escolhendo ainda o tipo de pó e de torra. Mês a mês, ele receberá fotos que mostrarão o crescimento da planta selecionada. Também será avisado quando chegar o momento da ceifa.

A proposta é que as pessoas estejam na fazenda durante a safra, e se integrem ao processo, colhendo alguns grãos. Elas também podem participar de uma oficina ou aula sobre café.

Erguida em 1863, a Alliança conserva objetos relacionados ao plantio de café usados na época colonial. No passeio pela fazenda, a proprietária, a argentina Josefina Durini, explica como funcionavam. Por quatro anos, ela restaurou e modernizou o local.

As construções agrícolas e pecuárias - como canteiros de horta, ordenha das búfalas e galinheiro - foram construídas com material reciclado, incluindo madeira plástica de PET, telhas de Tetrapack e bambu.

Almoço com 'pancs'

Almoçar por lá também é uma experiência interessante, já que a propriedade oferece pratos com 'pancs' (plantas alimentícias não convencionais), como ora-pro-nóbis e umbigo de banana (já muito utilizadas na culinária mineira), zebrinha, serralha, capoeraba e acará. Elas podem ser utilizadas de diversas formas, como recheio de quiches e tortilhas, e em molhos, como o pesto.

A cozinheira Maria de Fátima Cândida trabalha na Alliança há seis anos e é uma das responsáveis pelos pratos com 'pancs' servidos aos visitantes. De suas mãos, saem iguarias como quiche de picão, de sabor levemente picante; e tortilha (e pesto) de taioba, leve e de paladar refrescante, parecido com o da bertalha. Ela também pode ser consumida refogada.

As 'pancs' não são cultivadas. Elas simplesmente existem no local e vão sendo descobertas e identificadas pelos funcionários, que contam com a ajuda do livro Plantas alimentícias não convencionais - Panc no Brasil, do biólogo Valdely Ferreira Kinupp, usado como referência.

A Fazenda União, em Rio das Flores, a cerca de 50 minutos de Barra do Piraí, tem 10 mil pés de café, que dividem espaço com plantações de milho e batatas baroa, roxa e doce. Assim como na Alliança, a propriedade usa 'pancs' nos pratos que serve, como jasmim-do-cabo, peixinho-da-horta e abiu-do-mato, usados em geleias, saladas e chás.

Ainda na União, vale conhecer a coleção de arte sacra no casarão principal, com peças do século XIX que pertenceram à imperatriz Leopoldina e a Dom João VI.

Brincando de fazendeiro

Fotos: Luiz Ackerman/Agência O Globo Estábulo no HotelFazenda Galo Vermelho, em Vassouras
Estábulo no HotelFazenda Galo Vermelho, em Vassouras

Hotel fazenda lembra animais no pasto, comida farta preparada no fogão a lenha, árvores frondosas, rede na varanda e, lógico, diversão para toda a família, em especial para a garotada.

E isso tudo tem de sobra na região de Piraí, Barra do Piraí e Vassouras. Talvez a maior dificuldade seja escolher o tipo de hotel que combina mais com a sua turminha.

Há os mais intimistas, com cara de casa da avó; os mais grandiosos, com atividades dia e noite para crianças e adultos; e aqueles que equilibram os dois modelos. Cabe lembrar que a maioria dos estabelecimentos trabalha com o sistema de pensão completa, garantindo a permanência em tempo integral de seus hóspedes.

O roteiro da cachaça

Ana Beatriz Marin/Agência O Globo Funcionário da Fazenda Ribeirão que trabalha na produção de cachaça
Funcionário da Fazenda Ribeirão que trabalha na produção de cachaça

Há muito tempo, o Vale do Café também é conhecido pela produção de cachaça. A bebida, inclusive, integra a programação cultural da cidade.

Na Cachaçaria Werneck, em Rio das Flores, o proprietário, Eli Werneck, mostra as instalações e explica aos visitantes como é cada etapa da produção. É possível até observar o gerente, Denis Fabiano de Oliveira, inspecionando a filtragem da bebida para verificar se não restou nenhum resíduo. A cachaça fica armazenada em quatro tonéis de inox e em mais de 40 barris de carvalho americano e francês. A visita é gratuita, mas precisa ser agendada com pelo menos dois dias de antecedência. No final, é possível provar algumas das cachaças.

A Fazenda Ribeirão, em Barra do Piraí, também produz cachaça. Mas só os hóspedes podem experimentar. Por enquanto. A expectativa do proprietário, Ernani Bertino Maciel, é que, até o final do ano, esteja com a documentação em dia para poder comercializá-la.

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