Diário da Região

05/08/2018 - 00h30min

Artigo

Confira características específicas da modernidade que afetam o estado emocional

Cada uma delas tem uma cura potencial, que só colocaremos em prática se soubermos identificá-las; Confira

Divulgação Alain de Botton é um escritor suíço residente em Londres, famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana
Alain de Botton é um escritor suíço residente em Londres, famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana

Tradução de: Patrícia Reis Buzzini

O mundo moderno é maravilhoso em muitos aspectos - mas também apresenta uma trágica e poderosa capacidade de causar elevados níveis de ansiedade e inúmeros casos de depressão. Há seis características específicas da modernidade que podem afetar nosso estado psicológico. Cada uma delas tem uma cura potencial, que só colocaremos em prática se soubermos identificá-las:

1. Meritocracia

A sociedade afirma que todos podem ser bem-sucedidos se tiverem talento e disposição. O lado negativo dessa ideia ostensivamente bela e libertadora é que qualquer caso de insucesso é visto como um sinal de falta de talento ou preguiça, ao invés de ser a consequência de um acidente ou infortúnio, como ocorria no passado. Se aqueles que estão no topo merecem todo o seu sucesso, concluímos que aqueles que estão na pior devem merecer o fracasso. Uma sociedade que se considera meritocrática transforma o problema da pobreza em evidência de condenação e os desafortunados em perdedores. A cura para essa crença fundamenta-se em duas grandes ideias: a sorte, que diz que o sucesso não depende apenas de talento e esforço; e a tragédia, que diz que pessoas boas e decentes podem falhar e merecer compaixão, em vez de desprezo.

2. Individualismo

Uma sociedade individualista prega que o indivíduo e suas realizações são as coisas mais importantes e que todos podem ter um destino especial. Não é a comunidade que importa, o grupo é para os fracos. Ser“comum” é considerado uma maldição. O resultado é que o futuro da maioria das pessoas acabará sendo, estatisticamente falando, triste e medíocre. A cura para essa crença reside na valorização das coisas mais simples da vida - e a apreciação adequada dos prazeres e dos gestos silenciosos de heroísmo do nosso cotidiano.

3. Secularismo

As sociedades seculares deixaram de acreditar em entidades superiores ou impalpáveis. Dessa maneira, muitas pessoas ficaram sem nada para reverenciar ou relativizar, e acabaram achando que não existe nada além do sucesso e do fracasso. Uma cura para essa situação seria buscar, regularmente, fontes de transcendência que possam gerar uma perspectiva benevolente e relativizadora de nossos dramas pessoais: a música, as estrelas, a vastidão dos desertos e dos oceanos mostram como somos insignificantes em face de tudo.

4. Romantismo

A filosofia romântica prega que cada um de nós deve buscar aquela pessoa especial, com a qual seremos completamente felizes. No entanto, na maioria das vezes, temos que nos conformar com relacionamentos moderadamente toleráveis com alguém que é muito legal em alguns aspectos e muito difícil em vários outros. Isso parece um desastre - em contraste com nossas expectativas iniciais. A cura para esse sentimento de insatisfação é perceber que não fizemos a escolha errada: fomos encorajados a acreditar em um sonho muito improvável. Em vez disso, devemos concentrar nossos esforços na construção de um relacionamento baseado no amor e na amizade.

5. Mídia

A mídia tem imenso prestígio e enorme espaço em nossas vidas - mas geralmente direciona nossa atenção para coisas que nos assustam, preocupam, apavoram e enfurecem, ao mesmo tempo que nos negam a chance de algum tipo de reação efetiva. Ela tende a ressaltar aspectos menos admiráveis da natureza humana, sem dar atenção equilibrada às boas intenções, à ética e à responsabilidade. Uma boa alternativa seria produzir mais notícias que apresentem dicas ou soluções ao invés de gerarem indignação, focando em problemas sistêmicos, em vez de casos isolados e monstros emblemáticos.

6. Perfeccionismo

As sociedades modernas enfatizam que devemos estar sempre satisfeitos, plenos e realizados. Como resultado dessa crença, começamos a desenvolver sentimentos de autopiedade, perdemos energia e acreditamos que desperdiçamos as nossas vidas. A cura para esse dilema seria uma cultura que promovesse amplamente a ideia de que a perfeição não está ao nosso alcance - que não estar bem faz parte da condição humana e que o mais importante é ter bons amigos com os quais possamos conversar abertamente. Em nosso mundo, há muito mais fontes de sofrimento do que alternativas de cura e pagamos um preço alto por termos nascido nos tempos modernos. Contudo, felizmente, podemos encontrar a cura, individual e coletiva, se reconhecermos os verdadeiros motivos de nossas tristezas e ansiedades.

Fonte: www.theschooloflife.com

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso