Diário da Região

21/08/2018 - 18h51min

BEM-ESTAR

Pesquisas comprovam os benefícios da jardinagem

Uma das pesquisas recentes revela até que cuidar das plantas pode ser ainda mais valioso que meditação

Pixabay/Divulgação Mais que um simples hobbie, a prática da jardinagem proporciona benefícios físicos, emocionais e até espirituais
Mais que um simples hobbie, a prática da jardinagem proporciona benefícios físicos, emocionais e até espirituais

Na música Meu Jardim, de Vander Lee, o refrão diz: “estou podando meu jardim / estou cuidando bem de mim”. Talvez essa seja uma boa referência do sentido terapêutico da jardinagem, afinal vários estudos apontam os benefícios dessa prática, tanto para o corpo quanto para a mente.

Uma pesquisa recente revela até que cuidar das plantas pode ser ainda mais valioso que meditação, já que a atividade integra a atenção de forma plena, validando os sentidos da contemplação, buscado pela ação de aquietação da mente.

Um estudo da Universidade de Bristol aponta que o contato com a terra produz serotonina e um outro vai além, já que mostra que o contato diário com as flores fornece até sete anos a mais na expectativa de vida.

O controle dos níveis de ansiedade e estresse e a contribuição para o bom humor são resultados de uma outra pesquisa, que comprova que cuidar das plantas é uma atividade pra lá de saudável. Segundo ela, as sensações que as plantas passam através da ressonância fornece energia positiva, estimulando todos os sentidos.

Teorias não faltam e a prática parece atestar todas. Pelo menos no caso de Cleo Neves é exatamente assim. Quem conhece a jornalista de Rio Preto pode confirmar: para ela não faltam bom humor, leveza e alto astral.

Cleo ama receber visitas e exibir seu jardim, que possui uma série de espécies de plantas e flores, cuidadas por ela, religiosa e diariamente. A paixão surgiu ainda na infância, quando frequentava comunidades japonesas, onde passava horas nas plantações de frutas, hortaliças e flores. Além disso, a herança também é genética, já que sua mãe também exercia a arte de plantar e colher.

A jornalista começou seu cultivo particular aos 19 anos e hoje, aos 65, ainda se encanta com a atração das abelhas, pássaros, borboletas, “e com a magia de ver o nascimento, o prazer de vê-las crescendo, se multiplicando...”.

Lírio da paz, lírio de São José, ora-pro-nóbis, alpíneas, helicônia, patas de elefante, rosas, rosas do deserto, hibisco, bromélias, gerânio, orquídeas, mini orquídeas, romãs, pitanga, alecrim, lavanda, mirra, cactos e arruda são algumas espécies do extenso jardim de Cleo.

Para ela, a prática meditativa das plantas permite a viagem ao seu mais íntimo pensamento e o acesso às mais doces lembranças, “inclusive das pessoas que me presentaram com as sementes, ramas e mudas. É a forma que encontro de orar e agradecer a riqueza da vida e buscar novas energias”, completa.

Plano terapêutico

Na Terapia Ocupacional, a jardinagem e o cuidado com as plantas não se resumem a passatempo e são utilizados como recurso terapêutico. De acordo com a terapeuta ocupacional Ana Carolina Pereira de Carvalho, há um plano estratégico por trás da atividade para tratar cada sintoma dos pacientes e são analisados todos os aspectos do ambiente, como texturas, temperaturas, tipos de plantas, etc.

Nesse processo, podem ser trabalhadas questões como memória (lembrar de aguar a planta, quantidade diária, texturas), sensibilidade tátil, estimulação sensorial, força (segurar o vaso, forçar para fazer perfurações para o plantio, motricidade fina), destreza (segurar as ferramentas, sementes), autoestima (despertar o bem estar de estar em um ambiente agradável), etc.

“Visando o paciente como um todo, ou seja, olhando para seus aspectos emocionais, sociais, psicológicos, biopsicossociais, a prática traz melhora no desequilíbrio apresentado”, afirma Ana Carolina.

Flores e plantas ajudam até mesmo o espírito

Divulgação Ikebana é a arte oriental de montar arranjos de flores
Ikebana é a arte oriental de montar arranjos de flores

Para além dos efeitos físicos e emocionais, o manuseio das flores também é uma prática espiritual, com princípios filosóficos. Na Igreja Messiânica, isso é realizado através do Ikebana, que é a arte de montar arranjos de flores, com base em uma série de regras e simbolismos preestabelecidos.

A prática teve origem na Índia, há mais de 500 anos, para decorações e oferendas a Buda, mas os japoneses a tornaram conhecida, trazendo-a ao Ocidente. Hoje, ela tem quatro estilos: Ikebono - arranjos com devoção aos deuses, decorados com galhos; Sogetsu - um estilo mais novo e difundido: a Rainha Elisabeth e a Princesa Diana frequentavam suas oficinas; Ohara - montagem de galhos e flores; e o Sanguetsu - que se distingue dos outros, pois preza o arranjo natural, sem modificação dos materiais.

Em Rio Preto, existe o Sanguetsu Center, coordenado pela professora Carmen Sueli Gonçalves. A relação dela é tão íntima com as flores que até na sua foto de perfil nas redes sociais ela está rodeada por elas.

A vivificação das flores dentro da Ikebana Sanguetsu (San = montanha/ Guetsu = lua) é a expressão do sentimento da pessoa que a pratica. Um dos pilares está no poema de Itsuki Okada: "Eu e a flor nos tornamos um único corpo; uma nova vida brota de dentro do vaso". São utilizados ramos e flores, baseados nos elementos essenciais da natureza para a vida, respeitando seu crescimento, na trilogia verdade-bem-belo: Sol - elemento fogo, oxigênio, pai, coração; Lua - elemento água, hidrogênio, mãe, pulmão; e Terra - elemento solo, nitrogênio, filhos, estômago.

"A Ikebana Sanguetsu é um caminho. Traz paz, harmonia e alegria. Ao vivificar, sentimos gradativamente a mudança interior, a força da natureza, proporcionando a evolução de nosso ser", explica Carmen, que afirma que a prática faz com que as pessoas "sem perceber" tornem-se mais calmas, pacientes e passem a admirar as pequenas coisas da natureza, animais, vegetais, flores, "ficando em estado de êxtase, aguçando a percepção para o belo".

O centro oferece o curso regular, uma vez por mês, com dez aulas por nível, sendo fundamental, intermediário, avançado e aprofundamento. Além disso, são realizadas vivências temáticas, em que são ofertados pequenos arranjos, chamados de mini banas. "Em sintonia com o que a humanidade vem ultrapassando, desenvolvemos (as atividades) para amenizar a atmosfera espiritual, levando para locais de trabalho, hospitais, escolas, residências", acrescenta a coordenadora do espaço.

As atividades são abertas ao público e, atualmente, entre alunos regulares e vivências realizadas, movimenta, em média, 150 alunos.

Serviço

  • Sanguetsu Center - Avenida José Munia, 4915 (Jardim Redentor). Informações: (17) 3227-5446 ou 98145-2800.

Benefícios da jardinagem terapêutica

  • Alívio do estresse: dois grupos de pessoas que estavam estressadas foram separados nas atividades de leitura em ambientes fechados e jardinagem, por 30 minutos. Ao final do estudo, o grupo que ficou no jardim estava com o humor melhor em relação ao que passou o tempo lendo em local fechado
  • Melhora da saúde mental: a atenção sem esforço da jardinagem pode melhorar a saúde mental e evitar os sintomas da depressão
  • Prevenção de doenças: atividades na área da jardinagem podem agir como prevenção de doenças como obesidade, diabetes, osteoporose e outras
  • Recuperação da autoestima: o cuidado com as plantas reforça a importância de a pessoa tomar conta de si e se cuidar para que seja saudável
  • Melhora da hipertensão: a jardinagem ajuda a reduzir a pressão arterial, regula o funcionamento do coração e ajuda no relaxamento muscular
  • Efeito antidepressivo: o contato com a terra libera serotonina, controlando funções cognitivas e do humor
  • Reduz risco de demência e Alzheimer: a ressonância do ambiente das plantas promove relaxamento e tem influência positiva sobre a mente

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