Diário da Região

06/10/2018 - 00h30min

SAÚDE

Segundo Inca, 28% dos novos casos de câncer entre mulheres são câncer de mama

Câncer de mama responde por aproximadamente 28% dos novos casos de câncer entre mulheres todos os anos no Brasil

Freepik/Divulgação Outubro rosa
Outubro rosa

Apesar da crescente conscientização, das inúmeras campanhas - como o próprio Outubro Rosa - e do constante debate em torno da temática, o câncer da mama continua fazendo vítimas em todo o Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), esse é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por aproximadamente 28% dos novos casos a cada ano.

O câncer de mama não tem uma causa única, explica o Inca. O desenvolvimento da doença está relacionado a uma série de fatores que passa por idade, fatores endócrinos/história reprodutiva, fatores comportamentais/ambientais e fatores genéticos/hereditários.

"A idade, assim como em vários outros tipos de câncer, é um dos principais fatores que aumentam o risco de se desenvolver câncer de mama. O acúmulo de exposições ao longo da vida e as próprias alterações biológicas com o envelhecimento aumentam o risco. Mulheres mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos, são mais propensas a desenvolver a doença", afirma o instituto.

E apesar de a prevenção do câncer de mama não ser totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis, como alerta o Inca, a detecção precoce permanece como a melhor opção de cura. Quanto mais cedo a doença for descoberta, mais fácil é o seu tratamento.

Os principais exames por imagem para a detecção de tumores são a mamografia, a ultrassonografia e a ressonância magnética mamária. Cada um deles tem suas especificações de recomendações. De forma geral, mulheres de 40 anos ou mais devem fazer todos os anos a mamografia. A frequência e os outros exames variam de acordo com o nível de risco de cada paciente, como explica a médica radiologista Selma di Pace Bauab.

"Para mulheres abaixo dos 40 anos de idade, que não têm risco aumentado em relação à população normal, está indicada como primeiro exame, a ultrassonografia mamária. Já a ressonância magnética mamária apresenta recomendações específicas, como, por exemplo, pacientes de alto risco."

É considerado alto risco quando a mulher tem mais de uma parente de primeiro grau que teve câncer de mama antes da menopausa ou já fez teste genético que deu positivo para mutação; quando a mulher teve radioterapia no tórax (por ter tido linfoma, por exemplo) entre os dez e 30 anos de idade; e mulheres que já fizeram biópsia de mama com diagnóstico de lesão precursora de câncer de mama ou que já tiveram a doença.

Nesses casos, as recomendações de prevenção variam e uma especialista deve ser consultada. Mas a doutora Selma afirma que é indicada também a ressonância magnética para rastreamento anual, em combinação com a mamografia.

diagnóstico

Os exames de detecção do câncer de mama estão evoluindo junto com as pesquisas realizadas em torno da doença. A mamografia, por exemplo, além de se dividir entre analógica, digitalizada e digital, já possui ramificações dentro de suas variedades.

"A primeira evolução da mamografia digital é a tomossíntese, que aumenta a detecção do câncer de mama e diminui a taxa de reconvocação da paciente para incidências adicionais, ou seja: às vezes a sobreposição de tecidos faz com que a paciente seja chamada para fazer mais radiografias para elucidar a dúvida. A tomossíntese diminui a chamada da paciente para novas incidências e dá mais segurança ao radiologista", explica a radiologista.

Outra evolução da mamografia digital é a com meio de contraste. Ela consiste em uma injeção de meio de contraste iodado e na obtenção das radiografias após a injeção, para a identificação de lesões que captam o meio de contraste. Ainda é pouco difundida, especialmente porque se dispõe da ressonância magnética, diz Selma.

"Atualmente estão sendo difundidas técnicas de ressonância magnética por difusão, que não utilizam o meio de contraste, e a ressonância magnética abreviada (Fast MRI). A primeira para diminuição dos efeitos do meio de contraste e a segunda, para diminuição do tempo e do custo do exame."

Mas o que Selma considera uma das maiores conquistas dos especialistas em imagem da mama são as biópsias percutâneas, como core biópsia, mamotomia e punção com agulha fina guiadas por exames de imagem (mamografia-estereotaxia, ultrassonografia e ressonância magnética).

"Através destas biópsias é possível diagnosticar o câncer de mama e o médico planejar, junto com a paciente, a cirurgia a ser realizada. A mulher tem tempo de assimilar o diagnóstico, sendo um ganho emocional importante. Existe o estresse toda vez que é indicada a biópsia, mas, apenas cerca de até 30% destas têm diagnóstico de câncer. Este dado deve deixar a mulher mais confiante de que existe uma grande probabilidade da lesão ser benigna, mesmo com a indicação de biópsia. A biópsia percutânea tem ainda a vantagem de diminuir o número de indicações cirúrgicas e de aumentar a chance do diagnóstico precoce", explica Selma.

Tratamento

O câncer de mama é o tumor mais frequente na população feminina brasileira e é, também, o que mais mata. Apesar de toda a evolução em torno do tratamento, o diagnóstico precoce ainda é a melhor arma contra a doença, como explica o médico oncologista José Altino. "O tumor de mama inicial pode apresentar taxa de cura ao redor 90%. No caso de tumor de mama com metástase, a doença é incurável."

Detectado o tumor, o primeiro passo é a cirurgia para a retirada dele. E é aqui que está uma boa parte do avanço da medicina. Segundo Altino, em décadas passadas, o tratamento cirúrgico era a mastectomia total do tipo Halsted, que significa a retirada total da mama associado ao músculo da parede torácica e, ainda, com esvaziamento total dos linfonodos (gânglios) da axila do mesmo lado do tumor.

"No transcorrer das décadas, a mastectomia total passou a se dividir entre Patey ou Madden, depois cirurgia mamária parcial, como quadrantectomia, e até mesmo apenas a retirada do nódulo mamário conhecido com setorectomia mamária. Ainda mais importante, temos a análise de linfonodo sentinela axilar, sem necessidade do esvaziamento axilar e com menor mutilação (inchaço) do braço do mesmo lado da mama doente. E atualmente existe a possibilidade de mastectomia total com reconstrução mamária imediata com prótese ou músculo, assim as mulheres não sofrerão o trauma de retirada de mama", explica o oncologista.

O tratamento após a retirada do tumor também varia de acordo com o estágio em que se encontra o câncer. No caso de diagnóstico precoce, o próximo passo pode ou não ser o tratamento hormonal. A necessidade será avaliada pelo médico. "Já tumores mais graves ou maiores, além do tratamento cirúrgico, deverão receber tratamento quimioterápico, com todos os efeitos colaterais, incluindo a queda dos cabelos", afirma o doutor Altino.

Psicológico

O diagnóstico precoce e o tratamento médico adequado são fundamentais quando o assunto é câncer de mama, mas o cuidado com o psicológico é tão importante quanto. O câncer, seja ele de mama ou em outro órgão, é uma doença que assusta. Ela carrega um estigma e o diagnóstico causa uma série de sentimentos, como medo, angústia, raiva e dúvida. Por isso, alguns pontos são extremamente importantes na hora do tratamento, afirma Bel Garcia, psicóloga clínica e psico-oncologista.

"É necessário que o paciente sinta confiança no seu médico para firmar uma parceria de vida. É importante que dúvidas sejam sanadas, que possa perguntar ao seu médico tudo o que tem vontade de saber. E é importante que o médico seja um profissional disponível para acolher suas dúvidas. É importante que o paciente possa ser escutado para que se sinta participante ativo de todo processo. Paciente e familiares precisam cuidar para não cair na tentação de buscar no 'Dr. Google' respostas que só seu médico poderá oferecer. Quanto mais participativo for, mais tranquilidade terá durante todo processo."

Já o acompanhamento psicológico com um especialista é a melhor forma de navegar durante esse período difícil. "Há algum tempo, já se sabe que o paciente não é a doença, não é um órgão a ser tratado. Existe um sistema que adoeceu, portanto, um sistema que precisa ser cuidado. Por isso, além do corpo, cuidar das emoções é parte fundamental do processo, desde o diagnóstico, tratamentos e cirurgias até quando o paciente entra na rotina que não será mais a mesma. O acompanhamento do psico-oncologista é fundamental para um bom resultado do processo."

Mas os profissionais não são as únicas peças importantes nesse processo. Família e amigos exercem papel fundamental no psicológico das mulheres em tratamento contra o câncer de mama. Só que Bel alerta que eles também precisam ficar atentos a suas atitudes durante todo o processo, não trabalhando contra os avanços emocionais das pacientes.

"São muito importantes como apoio e cuidado, mas precisam ficar atentos para não impedirem o paciente de verbalizar e externalizar seu medo e sua dor. É comum familiares ou mesmo amigos reagirem dizendo ao paciente: 'fica tranquilo, seu caso é simples, não chore, você é forte, você vai ficar bem'. Mesmo que essas sejam frases que se espera que aconteça, a realidade é que o medo de ver o sofrimento do ser amado faz com que essas atitudes de 'consolo' impeçam que o paciente coloque para fora tudo o que sente nesse momento."

Por isso, a psico-oncologista aconselha que é preciso deixar que as pacientes chorem, fiquem quietas e falem sobre a situação sempre que sentirem vontade. "Muitas vezes acontece do paciente guardar para si o que sente e da família guardar para si o que sente, assim, formam uma divisão em vez de união, onde sofrem sozinhos, cada um de um lado, formando um pacto de silêncio prejudicial para todos."

Mas não é só o medo do câncer de mama que afeta o psicológico de mulheres diagnosticadas. A doença impacta a imagem. Temos, em alguns casos, a retirada da mama, a queda de cabelo, uma série de fatores que acabam dando um golpe da autoestima dessas mulheres.

Para ajudar, o conselho de Bel é auxiliar essas mulheres a perceber que elas são muito mais que apenas seus cabelos. "Ajude-a a entender que os cabelos vão crescer. Ajude a destacar detalhes que talvez ela não tivesse percebido, como maquiar os olhos, colocar lenços diferentes, brincos, enfim, esperar o tempo dos cabelos crescerem de maneira mais leve, fortalecendo seu olhar por si mesma, dependendo menos do que as pessoas acham ou pensam dela." V&A

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