Diário da Região

04/11/2018 - 00h30min

Entre Livros e Palavras

Amor para corajosos, de Luiz Felipe Pondé

Em seu livro, filósofo esmiúça as diferentes facetas do amor, trazendo reflexões importantes a todos que desejam mergulhar fundo em uma relação amorosa

Johnny Torres Tradutora Patrícia Reis Buzzini
Tradutora Patrícia Reis Buzzini

“O amor não é para iniciantes”. Talvez essa seja a melhor epígrafe para o livro 'Amor Para Corajosos' (2017), do conceituado filósofo Luiz Felipe Pondé. Em 36 capítulos, o autor esmiúça as diferentes facetas do amor, trazendo reflexões importantes a todos que desejam mergulhar fundo em uma relação amorosa. Começando por suas origens literárias medievais até o formato romântico do amor nos séculos XVIII e XIX, compreendemos algumas razões pelas quais o amor é visto como uma das maiores representações do céu e do inferno, podendo “levar-nos ao desespero ou à deliciosa experiência de uma reinvenção da vida”.

Para começar, Pondé estabelece uma diferenciação filosófica entre o que seria um “amor kantiano” e um “amor nietzschiano’. Em suas palavras, o primeiro representaria a “busca por estabilidade e respeito” e o segundo definiria a “busca pela paixão abismal e aterradora”. Nesse sentido, o título do livro parece pender mais para segundo tipo, considerando que, segundo o autor, uma filosofia para corajosos implica pensá-lo fora da ética, indo em direção ao inferno moral. Escrito em ensaios breves, e com uma linguagem ambivalente - intencional, a propósito - o livro pode ser lido aos poucos.

Fazendo uma crítica à concepção romântica de amor, símbolo de autenticidade e resistência às imposições sociais, o autor relata que, muitas vezes, a busca pelo ideal de vínculo imaginário pode trazer consequências desastrosas à vida real:

“Ninguém nunca está à altura de um ideal. A realidade sempre está aquém do ideal. Movidos neuroticamente por esse ideal imaginário, fruto da literatura e do cinema, nós nos tornaríamos incapazes de vínculos sólidos e construídos a partir de compromissos reais e significativos” (p. 40)

Nessa perspectiva, quanto mais rápido as pessoas se libertarem dessa neurose e dessa expectativa, mais rápido poderão criar vínculos afetivos mais duradouros e significativos.

Outra questão levantada por Pondé refere-se ao florescimento de uma geração de narcisistas, mimados e ressentidos, cada vez mais miseráveis de afeto e de autoestima. Afeitos às modas de comportamento, são descolados e não sentem ciúmes, vivem a vida sem rancor nem ressentimentos e olham apenas para si mesmos, na ilusão de serem autossuficientes. Considerando que o amor exige sentimentos de coragem, generosidade, disponibilidade e sinceridade, a situação torna-se ainda mais complicada. De acordo com o autor, muitas pessoas acabaram se esquecendo que “o amor depende de uma certa dose de maturidade para resistir aos impasses que traz num cotidiano protocolar como o nosso”.

Independentemente do tipo de amor - universal, místico, filial, homo ou hétero - o filósofo ressalta que um

dos seus efeitos mais regeneradores é a capacidade de restituir o amor-próprio e a autoconfiança. Assim, pessoas que se apaixonam e são correspondidas sentem-se mais fortes e capazes de enfrentar dramas cotidianos sem perder a confiança nas coisas: “A maior força do amor é exatamente esta: nos libertar de nossos fantasmas, mesmo que à custa de alguma forma de morte ou aniquilamento do eu que conhecíamos como nosso” (p.174). Ao término da leitura, a única certeza que nos resta é que, apesar dos riscos, nada parece ser pior do que o vazio de nunca ter amado. Leitura indicadíssima...

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