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ESPECIAL 173 ANOS

Chegada do trem expande os limites de Rio Preto e acelera o crescimento

Como ponta de linha até 1933, o trem alavancou o crescimento econômico, urbano e social de Rio Preto e é um marco essencial do desenvolvimento econômico da cidade

por Francela Pinheiro
Publicado em 18/03/2025 às 21:00
Chegada da linha férrea em Rio Preto em 1912 (Divulgação/Acervo Fernando Marques)
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Chegada da linha férrea em Rio Preto em 1912 (Divulgação/Acervo Fernando Marques)
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A chegada do trem em Rio Preto, em 1912, foi festejada por dias por entusiastas do pequeno município que crescia nos patrimônios de São José e de Nossa Senhora do Carmo. As celebrações em torno da linha férrea tinha importantes motivos: o trem era símbolo de progresso e ficaria marcado na história de Rio Preto como a força motriz do desenvolvimento econômico, urbano e social da cidade. Hoje, a linha férrea é operada apenas com cargas. Da antiga Estação Ferroviária restou a preservação das memorias – a Estação foi tombada, em 2007, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Ferroviário Nacional.

O jornalista e historiador Fernando Marques afirmou que a chegada do trem da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) foi registrada em 21 de janeiro de 1912. “Mas a inauguração só aconteceu de fato em 9 de junho de 1912. O trem inaugural estava previsto para chegar às 20 horas, mas só chegou às 23h20”, disse. A estação foi estruturada a partir de um projeto assinado pelo engenheiro Carlos Schmitt.

A chegada dos trilhos deu início ao período de desenvolvimento de Rio Preto conhecido como a “Era Áurea”, a qual colocou o município numa posição de empório comercial da região. Isso porque a cidade ficou como ponta de linha férrea até 1933. “Ainda em 1912, o plano era estender os trilhos da Fepasa até a cidade de Cuiabá, mas acabou não acontecendo e os trilhos ficaram paralisados em Rio Preto até 1933, o que beneficiou a economia da cidade e de toda região”, explicou Marques.

Comércio

A arquiteta e urbanista Delcimar Teodozio disse que esse foi o principal fator para transformar o comércio na principal atividade econômica da cidade. “Pois a ferrovia propiciou a transformação de pequenas lavouras em lucrativas plantações agrícolas e em fazendas de pecuária, além de fomentar intensa troca comercial com produtos vindos da capital”, afirmou a arquiteta.

Em uma cidade com poucos anos de fundação, sem sobrados e que dava seus primeiros passos rumo ao progresso, a chegada da primeira locomotiva foi a alavanca que o setor cafeeiro precisava para expandir seus negócios. “A linha férrea também era o transporte essencial para a chegada dos imigrantes que saíram de outras partes do Estado para vir trabalhar nas fazendas de café da pequena cidade”, disse Delcimar. Segundo a arquiteta, o trem atraía pessoas que vinham comprar e morar, “deslocavam-se do Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais, atraídos pelas oportunidades de enriquecimento”, disse.

Distâncias

O trem também foi fundamental para outras atividades econômicas como a agropecuária (gado), impulsionada pelo crescimento populacional, além do arroz, algodão, feijão, milho e madeira que eram comercializados de forma mais rápida, efetiva e abrangente, segundo Delcimar. “A diminuição das distâncias regionais com a capital do Estado possibilitou o florescimento de novos modos de vida - a vida urbana - que transformavam o cotidiano, real ou idealizado, de uma sociedade em acelerada transformação estrutural, dado pelo caráter eminentemente agroexportador e mais tarde industrial, notadamente no Estado”, afirmou a arquiteta e urbanista.

A movimentação e o fluxo de passageiros e cargas ganharam uma proporção tão significativa que no final da década de 30 houve a necessidade de demolir a primeira estação e reestruturar o prédio para atender o volume do escoamento. Na década seguinte, uma nova edificação, projetada pelo arquiteto José Maria da Silva Neves, foi inaugurada, em estilo Art Déco. Na metade do século XX, a ferrovia passou por modernização, com alargamento da bitola para aumentar sua eficiência e capacidade.

Mudanças

Com a crise do café e a abertura de rodovias, o sistema ferroviário começou a perder espaço. Somado a esse contexto, as dificuldades financeiras da EFA e a redução de passageiros contribuíram com o declínio da ferrovia e o último trem com passageiros operou em Rio Preto em 2001. De lá para cá, a linha férrea contempla apenas cargas. Já a antiga Estação Ferroviária de Rio Preto foi tombada, em 2007.

Entre 2020 e 2023, a antiga estação passou por revitalização e readequação para receber a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Negócios de Turismo e, assim, criar o complexo turístico-cultural. Em maio de 2023, foi criado o Museu Ferroviário de São José do Rio Preto. No ano passado, em novembro, foi inaugurado o Complexo Estação Ferroviária, o qual integra o Museu Ferroviário, o Espaço Plataforma, o Memorial do Empreendedor e a Casa do Artesão.