Com vácuo de gestão, aeroporto de Rio Preto tem ar de abandono
Daesp tirou o pé nós gastos com manutenção e o consórcio que venceu o leilão ainda não assumiu o espaço

O Aeroporto de Rio Preto vive uma espécie de orfandade desde que foi leiloado em 15 de julho deste ano pelo governo do Estado de São Paulo. De lá para cá, o Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo) tirou o pé nos gastos com manutenção. E o novo dono do pedaço pelos próximos 30 anos, o consórcio Aeroportos Paulista, liderado pela empresa Socicam, ainda não assumiu.
Servidores concursados, funcionários terceirizados, permissionários e passageiros fazem coro às críticas ao que chamam de “ar de abandono” que tomou conta do local. Um exemplo é a falta de espaço para o passageiro deixar o carro para pegá-lo dias depois, quando retornar, algo básico em aeroportos. O Daesp fez uma licitação ainda no começo de 2020, antes da pandemia, com uma locadora de automóveis, mas que vale apenas para quem aluga os veículos. Com a concessão inconclusa, a solução para os carros particulares foi engavetada.
Os problemas, segundo fontes ouvidas pela Coluna, não param aí: o aeroporto sofre com pontos escuros porque a gerência local não tem recursos para repor as lâmpadas que queimam, o mato cresce sem um serviço adequado de manutenção e até produtos de higiene estão racionalizados. No terminal antigo, para cargas e descargas, as consequências do vácuo administrativo é ainda mais flagrante.
NOTAS

Porta de entrada
Somente em outubro deste ano, o aeroporto Eribelto Manoel Reino registrou 11.521 embarques e 11.719 desembarques. Operam na cidade Latam, Azul e Passaredo (que faz os voos da Gol). “Ruim a situação do aeroporto, que causa péssima impressão de Rio Preto em uma de suas mais importantes portas de entrada”, diz um dos dez servidores lotados no local, que apenas foram informados, até agora, de que deverão ficar à disposição até abril de 2022. A Socicam, segundo eles, não visitou o aeroporto até agora. A reportagem tentou contato com o Daesp, mas não obteve resposta.
Almoço com Temer
O ex-presidente Michel Temer (MDB) participa de um debate-almoço com empresários em Rio Preto no próximo dia 14. Promovido pelo Lide, o evento é exclusivo para filiados e convidados. Sempre rodeado por empresários que representam uma parcela expressiva do PIB, dada a sua capacidade de leitura da cena política e acesso a informações de bastidores, Temer já vem dando pistas de que uma candidatura em 2022 está nos seus planos. Resta saber a qual cargo.
Mandou seguir
O promotor Sérgio Clementino se manifestou pelo prosseguimento de ação popular que questiona a eleição de Pedro Roberto (Patriota) para a Presidência da Câmara, em janeiro de 2020. A ação encabeçada por Warlen Miiller, do MBL, acusa Pedro de barganhar cargos no Legislativo para conquistar o comando da Casa. Os envolvidos, claro, negam as acusações.
Nem com drone
Dona de quase 30 mil votos em Rio Preto em 2018, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL) chega na reta final de seu mandato sem nunca mais ter pisado na cidade. E não tem sido por falta de convite. Há 3 anos, Janaína Targas Albuquerque, psicóloga e ex-apoiadora da parlamentar, vem tentando trazê-la para uma visita à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). Diante de desculpas como o temor com sua segurança, até fotos de monitoramento do local com drones já foram encaminhadas para a parlamentar. Quem sabe em 2022, quando o encontro com as urnas costuma deixar os políticos mais gratos, né?
Sinval, o colono
O médico catanduvense e ex-deputado federal Sinval Malheiros, quem diria, tem recebido tratamento de “colono” no Podemos, legenda catapultada a novo patamar de interesse após a chegada de Sérgio Moro. Isso porque a presidente nacional da legenda e deputada federal Renata Abreu parece decidida a não deixar um mísero metro quadrado de espaço político para o correligionário pedir voto. Nas principais cidades da região, incluindo Rio Preto, as direções do partido estão tuteladas por ela. Ou seja, está tudo dominado. Em tempo: colono, em eleições proporcionais, são aqueles colocados no jogo apenas para, voluntária ou involuntariamente, ajudar a legenda a somar votos.
Dois salários
Dom Tomé já está em Cristina, em Minas Gerais. O escândalo do vídeo no qual ele acaricia partes íntimas do próprio corpo em uma relação virtual já é passado, mas as chagas abertas dentro da igreja ainda ardem em indignação. Na última semana, a Diocese de Rio Preto enviou dois emissários para resolver pessoalmente com o religioso as burocracias de sua aposentadoria: os padres Sidnei (de Potirendaba) e Cândido (da Paróquia de Santo Expedito, em Rio Preto). Por aqui, a revolta dos desafetos de dom Tomé (entre religiosos e fiéis) só cresce com a notícia de que seu salário, de dois mínimos (R$ 2,3 mil), será bancado pela diocese local.