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Goiaba tailandesa, 'gigante' e bela

Variedade da fruta, também chamada de gigante, conquista espaço nos pomares da região de Rio Preto

por Marival Correa
Publicado em 08/02/2020 às 00:30Atualizado em 07/06/2021 às 07:27
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Fruticultor Júlio Shimasaki colhe 10 mil quilos da fruta  (Divulgação)
Fruticultor Júlio Shimasaki colhe 10 mil quilos da fruta (Divulgação)
goiabas tailandesas da produção da família Shimasaki (Divulgação)
goiabas tailandesas da produção da família Shimasaki (Divulgação)
goiabas tailandesas comercializadas por Júlio (Divulgação)
goiabas tailandesas comercializadas por Júlio (Divulgação)
Goiabas são ensacadas na propriedade da família Shimasaki (Divulgação)
Goiabas são ensacadas na propriedade da família Shimasaki (Divulgação)
Indústria processa 75 mil toneladas de goiaba por ano principalmente para doces e geleias (Divulgação)
Indústria processa 75 mil toneladas de goiaba por ano principalmente para doces e geleias (Divulgação)
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Muito apreciada, a goiaba possui tamanhos e sabores diferentes, conforme as variedades cultivadas. Ainda pouco conhecida, mas que já chama a atenção do consumidor, a goiaba tailandesa ou gigante - como é conhecida popularmente- conquistou espaço nos pomares da região de Rio Preto.

O fruticultor Júlio Kiyoichi Shimasaki colhe 10 mil quilos da fruta, mensalmente, e tem previsão de colheita de 20 mil quilos da variedade tailandesa em março. "O que é diferente é o seu tamanho avantajado, que tanto pode pesar 800 gramas como pode pesar 300 gramas cada fruto. É uma goiaba de alta produtividade", diz.

A família Shimasaki possui 2 mil pés de goiaba tailandesa plantados no município de Mirandópolis e lida com as frutas desde a década de 1970, quando o pai de Júlio deu início ao plantio da goiaba branca.

A "tailandesa" é fruto da goiabeira Psidium guajava, uma pequena árvore frutífera tropical, nativa de toda a América, exceto México e Canadá. De acordo com os produtores, o nome da cultivar é Supreme. "Além de ser maior que outras variedades, a goiaba conhecida por tailandesa tem uma cor levemente avermelhada, com uma polpa macia e poucas sementes", explicou Júlio.

Há 12 anos cultivando a variedade, Júlio conta que há muita oscilação da fruticultura no Brasil. "A cada dez anos, temos um crescimento do plantio da goiaba e depois um declínio". Ele lembra que na década de 1980 a goiaba branca tinha bastante comercialização, "mas depois migramos para a plantação de outras variedades da goiaba vermelha e agora estamos com a Supreme".

A comercialização da goiaba produzida na propriedade da família Shimasaki é distribuída nos supermercados de São Paulo - em sua maioria, cerca de 80% -, Presidente Prudente e em algumas cidades do Paraná. Segundo Júlio, a "tailandesa" é consumida in natura. "Como é uma fruta mais rústica, suporta bem o transporte para cidades mais distantes".

Bom preço

As goiabas maiores, que pesam entre 700 e 800 gramas, são comercializadas por R$ 3 o quilo e as menores, com peso médio de 300 gramas, a R$ 2 o quilo. A colheita acontece o ano todo, com os cuidados necessários para aumentar a produtividade da plantação. Júlio reconhece a alta produtividade por hectare da fruta - a plantação totaliza sete hectares da propriedade - e está satisfeito com o mercado atual.

Um dos cuidados necessários com o manejo no goiabal é a proteção do fruto. O fruticultor explica que para evitar o sol forte, o ataque de insetos e de pássaros, a goiaba é envolta com um papel. "O ensacamento de cada goiaba é uma proteção natural, evitando ainda a mosca da fruta", disse Júlio.

Rendimento por árvore é lucro certo

Um dos atrativos para o plantio da goiaba tailandesa para o produtor rural José Roberto Forte foi observar o pé carregado da fruta. Com um bom rendimento da goiabeira, o lucro é garantia no negócio. "Um pé da planta produz entre 30 a 40 quilos de goiabas. É uma árvore bem rústica e produz uma goiaba que pode pesar até um quilo", disse Forte.

José Roberto plantou 400 pés da goiaba tailandesa no sítio localizado em Potirendaba, se dedicando ao plantio da fruta nos últimos cinco anos. Ele também comercializa a goiaba tailandesa nos supermercados da região de Rio Preto, e acredita que como a fruta é grande, a lucratividade é maior para o produtor. "As outras variedades são menores, comercializadas, em sua maioria, na indústria e não compensa, pagam muito pouco".

No ano passado, Forte conta que descuidou da poda das árvores, o que ocasionou a perda dos frutos. "Se não podar, os frutos não se desenvolvem e a gente acaba perdendo a safra". Ainda relacionou outro motivo que ocasiona a perda do pomar: as doenças e pragas. No ano de 2000, o fruticultor precisou erradicar a plantação de goiaba. Mas este ano, José Roberto acredita na recuperação do mercado com a goiaba tailandesa.

O fruticultor Hissashi Niizu também vislumbrou um mercado mais lucrativo com a plantação da goiaba tailandesa, na propriedade rural em Guaraçaí, município a 240 quilômetros de distância de Rio Preto. Ele deixou de plantar a goiaba da variedade pedro sato, para investir no cultivo de 800 árvores da goiaba tailandesa. "As goiabeiras não carregavam tanto, as tailandesas rendem mais".

Outra vantagem da goiaba tailandesa para Niizu é o fato de a fruta ser mais resistente, "não é tão perecível como as outras variedades e aguenta mais no transporte". Para o fruticultor, o manejo não é tão simples. A plantação exige irrigação no período da estiagem e a cobertura com o papel para evitar as manchas pretas que podem aparecer no fruto.

Fruta tipo exportação

O estado de São Paulo é o maior produtor de goiaba do Brasil, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA). A produção paulista de goiaba, segundo ainda o IEA, divide-se basicamente em dois grupos: o primeiro destinado à indústria e que resulta em 86% do total do estado, e outro para consumo in natura. Em São Lourenço do Turvo, distrito da cidade de Matão, se instalou uma das principais indústrias alimentícias que processam a goiaba.

O engenheiro agrônomo e responsável pelo departamento agrícola da Predilecta, Bruno Trevinzaneli, disse que a indústria processa 75 mil toneladas de goiaba por ano, destinadas principalmente à fabricação de doces e geleias. A indústria exporta também produtos utilizados no processamento da goiaba, para a fabricação de sucos, a 63 países.

"Contamos com a parceria entre 350 produtores rurais que plantam goiaba, com as plantações de propriedades localizadas a uma distância de 50 quilômetros da indústria", diz Trevinzaneli. Ele explicou que por ser a goiaba uma fruta perecível, pode perder a qualidade durante o transporte, lembrando a vantagem de ter fruticultores próximos da indústria.

As plantações de goiaba que atendem a demanda da indústria, segundo Bruno, são de diversas variedades, mas a principal é a fruta da cultivar paluma. "É uma variedade desenvolvida por pesquisador da Unesp de Jaboticabal, que possui característica muito interessante para o processamento na fábrica. É uma goiaba com pouca semente, de casca fina, cor rosa intensa e muita polpa." (CC)

Doença é maior desafio

Produtores de goiaba perderam a plantação com um dos maiores desafios para o cultivo da plantação, que é uma doença conhecida como nematoide-das-galhas. O engenheiro agrônomo Edgar Bortoli dos Santos, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que atua na Casa da Agricultura de Mirandópolis, explica que nos últimos cinco anos os produtores estão renovando os pomares, após o aparecimento da doença, que leva à erradicação dos pomares.

De acordo com Bortoli, o nematoide invade as raízes da goiabeira, destruindo a planta por dentro até provocar a sua morte. "Antes, não havia a preocupação do produtor com o solo. Recomendamos ainda que, no local onde ocorreu o aparecimento do nematoide, o produtor evite o plantio de novas mudas no mesmo solo".

Na renovação dos pomares, o engenheiro agrônomo explicou que o produtor se interessou pela goiaba tailandesa, que além de ser própria para o consumo de mesa, também pode ser comercializada junto às indústrias. "É uma goiaba de tamanho maior que as demais, com uma polpa mais carnosa, sendo mais atrativa para o consumidor". Bortoli destacou ainda que as indústrias que processam a goiaba estão muito distantes das propriedades que cultivam o fruto, "o que acaba em maior custo para o fruticultor comercializar seu produto". (CC)