Saúde emocional

Não se frustre mais

A forma como enfrentamos o inesperado e nos reconstruímos a partir dos desafios é o que faz a diferença

por Gisele Bortoleto
Publicado em 15/05/2021 às 22:30Atualizado em 05/06/2021 às 23:51
Saber tolerar frustrações é importante,  pois nos torna mais seguros e confiantes (Anna Bizon/Freepik)
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Saber tolerar frustrações é importante, pois nos torna mais seguros e confiantes (Anna Bizon/Freepik)
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Não importa a situação: corriqueira ou extraordinária, praticamente não há um dia em que não nos deparamos com situações que podem gerar frustração. O sentimento é quase intrínseco à condição do ser humano, sobretudo do homem moderno.

A psicopedagoga e neurocientista Adriana Fóz, autora do livro "Frustração- Como treinar suas competências emocionais para enfrentar os desafios da vida pessoal e profissional" (ed. Benvirá) define frustração como o sentimento que nos acomete quando não conseguimos realizar um desejo, uma vontade ou uma necessidade. É a reação a uma expectativa não correspondida. "É uma sensação, um pensamento, um estado interior que reflete a não conquista. É quando nos sentimos mal por não ter alcançado algo em que colocamos algum empenho ou que fazia parte do que entendíamos como natural", explica.

E a sensação de frustração tem aumentado para muita gente a partir da pandemia da Covid-19. Desde o ano passado as pessoas têm vivido uma verdadeira montanha-russa de emoções. Elas estão mais ansiosas, nervosas, deprimidas, solitárias, com raiva, com medo, sem esperança, desamparadas e frustradas mais do que nunca.

Algumas coisas e situações nos pegam de surpresa, desprevenidos, causando mais do que simplesmente uma decepção. Repare que a frustração tem a ver com o que esperamos das pessoas e das situações - consciente ou inconscientemente. Mas a verdade é que somos nós quem criamos as expectativas e, quando elas não são alcançadas, ganhamos esse brinde", diz Adriana Fóz. Segundo ela, a forma como enfrentamos e nos construímos e reconstruímos a partir desse sentimento ou dos nossos problemas e desafios é o que faz a diferença.

Para a neuropsicóloga Suzana Lyra, autora do livro "Refém do Medo" (ed. Literare Books International) saber tolerar frustrações é muito importante nessas situações, pois nos torna mais seguros e confiantes. "A frustração é desconfortável, forte, paralisa e nos impede de seguir. Nos tornamos refém de nós mesmos," explica.

O primeiro passo é saber reconhecer e compreender o que pode ter acontecido em sua vida. "Não há regras, modelos, receita ou fórmulas mágicas para superar e sair do elo apertado que a frustração lhe colocou", afirma Suzana Lyra. Saber compreender o que causou a não-realização do objetivo e que sua expectativa não tenha sido alcançada é essencial para sair do sofrimento psíquico. "Saber reorganizar-se faz com que o enfrentamento da nova fase seja mais leve e menos dolorida", explica.

Embora possamos não reconhecer quando o fazemos ou mesmo admitir quando sabemos que o fazemos, todos nós, às vezes, temos a tendência de sabotar nossos esforços, levando a uma frustração desnecessária e, às vezes, perturbadora. A chave para superação, segundo Suzana, é aprender como identificá-la e, em seguida, implementar estratégias para combatê-la.

Nosso passado revela muita coisa do que somos hoje. O passado serve de referência, é balizado para que possamos refletir e analisar o que é bom, é uma peneira para que possamos nos erguer a cada dia. Olhar para o passado com frequência nos traz sofrimento nos dois sentidos, se ele foi bom ou ruim. Se foi bom você pode tirar o proveito e intensificar o seu presente com as experiências positivas. Se foi ruim, porém, é ser resiliente e fazer com que suas frustrações trabalhem ao seu favor. "Fazer com que elas deixem você mais forte para superar os desafios de forma positiva, vencendo as barreiras possíveis, compreendendo os erros do caminho e aceitando os que não dependem de você", diz Suzana.

É possível prevenir

Identifique uma situação com potencial frustrante; Sinta e pense, concentre-se na situação e em seus detalhes. Visualize; Racionalize e reflita em prol de ser assertivo; Crie e teste estratégias para passar pela situação com potencial frustrante; Caso a situação envolva outra pessoa, comunique-se da melhor forma possível. Deixe muito claro o que pensa ou espera. Busque, ao mesmo tempo, compreender o que a outra pessoa sente, pensa e entende sobre o mesmo assunto; Escolha, decida o caminho a seguir; Tenha um plano B, caso sua primeira escolha não atinja o resultado esperado.

Fonte: Adriana Fóz

Competências transformadoras

Perseverança Empatia Intuição Resiliência Gentileza e autocuidado Generosidade Paciência Otimismo Fé Criatividade Foco Coragem Perdão Gratidão

Fonte: Adriana Fóz