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ASSASSINATOS

Rio Preto é a terceira cidade mais violenta do Estado de SP

Em 20 anos, Rio Preto saiu da lista das cidades com menos homicídios e tornou-se a terceira com maior taxa de assassinatos entre as maiores do Estado; desigualdade e drogas são apontadas como razão

por Rone Carvalho
Publicado em 20/10/2023 às 16:52Atualizado em 21/10/2023 às 03:58
Colaboração/Ilson Colombo/Informa Mais (Colaboração/Ilson Colombo/Informa Mais)
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Entre as cidades de grande e médio porte, Rio Preto é a terceira cidade mais violenta do estado de São Paulo. É o que mostra levantamento com base em dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). A taxa de homicídios por 100 mil habitantes daqui – 8,4 em 2022 – é superior à de outras 23 cidades paulistas acima de 300 mil habitantes. O número só menor do que o de Taubaté e Campinas.

Os dados levam em consideração apenas homicídios dolosos, ou seja, quando existe intenção de matar. Não estão incluídos outros crimes contra a vida, como latrocínio – roubo seguido de morte –, homicídios culposos e mortes em confrontos com a polícia. Os números mostram que, em 20 anos, a maior cidade do Noroeste paulista, que hoje tem 480 mil habitantes, foi a que teve a menor redução na taxa de assassinatos: de 9,91, em 2003, para 8,4, em 2022. Em contrapartida, no mesmo período, Ribeirão Preto, por exemplo, passou de 13,65 para 6,95. Em 2003, Rio Preto tinha a segunda menor taxa de homicídios.

IDH x violência

Considerada por diversos institutos de pesquisa como uma das melhores cidades do País para se viver devido à sua infraestrutura e oferta de serviços básicos de saúde e educação, os dados da SSP mostram na prática que nem sempre ter bons indicadores em desenvolvimento humano significam menores taxas de crimes violentos.

Ary Ramos, doutor em sociologia, explica que a desigualdade existente no município é uma das barreiras a ser enfrentadas por Rio Preto para conseguir diminuir a incidência de crimes violentos. “Ter um bom IDH é uma coisa, agora ter uma população desenvolvida é outra. Assim como o Brasil, Rio Preto tem uma desigualdade gigante que precisa ser enfrentada”. De 1991 a 2010 (ano em que o último IDH foi divulgado), a cidade melhorou o índice: de 0,610 para 0,797.

Para Ramos, o caminho que precisa ser superado pela cidade é o de não monopolizar questões de segurança pública, com propostas apenas do poder judiciário e da polícia, mas envolver mais todos os setores da sociedade, em áreas como educação e assistência social, na busca por soluções.

“Se pararmos para analisar, grande parte da violência está ligada às drogas. Ou seja, é necessário não apenas prender, mas também investir em educação para que outros jovens não entrem para o mundo das drogas e consequentemente pratiquem crimes”, ressaltou.

“A educação é um caminho não apenas para Rio Preto, mas para todo o Brasil conseguir mudar esse alto índice de violência. É uma política pública que demanda tempo, mas traz resultados. O questionamento que fica é o que queremos para os próximos anos”, aponta Ary, “Precisamos investir em políticas públicas e não apenas em punição”, completou o sociólogo.

Motivações

Mauro Luís Truzzi Otero, delegado do Deinter-5, que trabalha na Polícia Civil de Rio Preto desde a década de 90, aponta o avanço do tráfico de drogas e a própria facilidade nos últimos anos ao acesso a arma de fogo como motivos para a alta incidência de crimes contra a vida no município.

“Hoje, a gente nota que muitos homicídios em Rio Preto acontecem por questões banais, como discussões em bar ou até pelo resultado de uma partida de futebol. Mas também temos situações de brigas ensejadas pelo tráfico de drogas que terminam em morte”, disse.

Em 2022, Rio Preto registrou o maior número de homicídios dolosos, desde 2002. Foram 40 mortes do tipo contra 45, de 2002 – último ano em que o número de assassinatos foi superior a 40. Até então, o número mais próximo do recorde de homicídios dolosos, em 20 anos, havia sido registrado, em 2018, quando a cidade registrou 38 assassinatos.

Nesta ano, a Prefeitura de Rio Preto criou a Secretaria Municipal de Segurança Pública. A expectativa é que a pasta atue junto com as forças de segurança no combate à criminalidade.

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‘Conflitos interpessoais’

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que utiliza Sistema de Informação e Prevenção aos Crimes Contra a Vida (SPVida) para analisar os indicadores e elaborar planos de ação visando a redução de mortes.

“Em Rio Preto, dos 22 homicídios dolosos ocorridos nos primeiros oito meses do ano, ao menos sete deles ocorreram por conflitos interpessoais. Ainda, 72,7% das ocorrências foram resultado de disparos de arma de fogo. No período, 2.419 pessoas foram presas/apreendidas no município e 102 armas de fogo foram retiradas das ruas, representando um aumento de 12% e 12,1%, respectivamente, em relação ao ano anterior.”

Ainda segundo a nota, as ações investigativas da Polícia Civil e o policiamento ostensivo e preventivo da Polícia Militar foram intensificados em toda região. “Nos oito primeiros meses deste ano, o Estado registrou uma queda de 9,5% no número de homicídios dolosos em comparação com o mesmo período de 2022. Esses resultados são fruto do trabalho conjunto das forças policiais, investimentos em tecnologia, capacitação dos profissionais de segurança e ações estratégicas em áreas de maior incidência criminal”. (RC)