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O VALOR DO RECICLADO

Volume de materiais reciclados coletados em Rio Preto tem aumento de até 30%

A valorização do plástico e de metais finos, como o alumínio, e a busca por fontes alternativas de renda fizeram crescer em 30% o volume de materiais reciclados coletados em Rio Preto

por Felipe Nunes
Publicado em 22/04/2022 às 17:58Atualizado em 25/04/2022 às 06:04
Karoline Fernanda Delfino, cooperada da Cooperlagos: aumento na coleta pode estar ligado à mudança nos hábitos de consumo (Johnny Torres 22/4/2022)
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Karoline Fernanda Delfino, cooperada da Cooperlagos: aumento na coleta pode estar ligado à mudança nos hábitos de consumo (Johnny Torres 22/4/2022)
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O volume de material reciclado coletado em Rio Preto cresceu em 2021 e continua em movimento de alta neste ano. Depósitos especializados na compra e revenda de plástico e metais finos, por exemplo, tiveram alta de até 30% na compra de reciclados. Apesar de positivo no ponto de vista ambiental, o resultado está mais ligado à busca por fontes alternativas de renda do que à maior conscientização da população.

Tadeu Marioto é proprietário do depósito Reciclagem Duas Vendas e notou crescimento de 40% apenas no número de catadores que comercializam garrafas pet, latas de alumínio e papelão. São pessoas que tiveram a renda prejudicada e que começaram a trabalhar na coleta de reciclados para tirar o próprio sustento.

“Tínhamos grupos de catadores já conhecidos, mas diferentes pessoas começaram a nos procurar para vender reciclado. Com mais gente recolhendo, a extração é mais rápida e, consequentemente, o volume de reciclado aumenta”.

No ano passado, o depósito registrou um aumento de 30% na reciclagem de latas de alumínio – material mais comercializado devido ao maior custo. Antes da pandemia, a empresa recebia em média 70 toneladas de latas de alumínio por mês. Agora, o volume aumentou para uma média de 100 toneladas por mês. Além do material dos catadores, o depósito também compra material no atacado, o que justifica o alto volume mensal.

Essa maior quantidade de catadores de recicláveis também está ligada à valorização dos produtos. No ano passado, o preço da latinha de alumínio no mercado de recicláveis chegou a R$ 10 o quilo. Hoje, o produto é comercializado por volta de R$ 9 o quilo. Outro produto bastante procurado, as garrafas pet também tiveram valorização, passando de R$ 1,90 em 2020 para pouco mais de R$ 3 no ano passado. O quilo do papelão, por outro lado, ficou desvalorizado. Caiu de R$ 1,10 para R$ 0,20.

“Hoje, tem pessoas que vivem só da coleta de reciclado. Não tem outra fonte de renda”, destaca o empresário Carlos Alberto Pinto, do Sucatão Cecap. O maior número de pessoas vendendo reciclado, fez aumentar em 30% a compra de garrafas e latas de alumínio.

No depósito Sucatas Rio Preto, só a compra de latas de alumínio cresceu 29% no ano passado. Segundo o empresário Fernando Zanatta, neste ano o número continua a crescer. Até abril a empresa registrou a compra de 1,2 mil tonelada de alumínio, fora outras ligas trabalhadas na empresa. Ele explica que o volume de resíduos aumenta com o crescimento da população. "Sempre vai aumentar a quantidade de sucata e alumínio no mercado. Cabe a nós aumentar a capacidade de compra, processamento e venda", diz.

Fernando também notou um aumento no número de catadores, que vislumbraram na atividade uma forma de complementar a renda. Fator que, segundo ele, também contribuiu para o crescimento no volume de material reciclado. "Neste ano já tivemos um aumento de 31% na compra de sucata de alumínio. Nós últimos dois anos, esse aumento foi de 80%”.

Cooperativas registram aumento de até 60%

Diferente dos depósitos, as cooperativas de catadores de materiais reciclados não compram material de terceiros, por isso não são destino dos catadores que atuam de forma independente. Quem faz a coleta são os cooperados, que recebem por isso. Mesmo assim, as instituições também registraram aumento no volume de recicláveis coletado no ano passado.

Na Cooperativa de Coleta Seletiva, Beneficiamento e Transformação de Materiais Recicláveis (Cooperlagos) houve aumento de 58,9% na reciclagem de garrafa pet. No ano passado foram recolhidos 62,7 toneladas, contra 39,2 toneladas no ano anterior.

O aumento no volume de latas de alumínio foi mais modesto. Enquanto em 2020 foram 12,2 toneladas de alumínio recolhidos, no ano passado o número subiu para 14,9 mil toneladas – um aumento de 22%.

Coordenadora da cooperativa, Tereza Pagliotto, explica que o maior volume de material reciclado no ano passado pode estar ligado à mudança nos hábitos de consumo da população. “Houve um crescimento no material reciclado produzido no ambiente doméstico e um dos fatores para esse aumento foi o próprio isolamento social. Com mais tempo em casa, as pessoas passaram a consumir mais e a gerar mais material para ser coletado”.

Atualmente, a cooperativa trabalha na coleta seletiva em diferentes bairros e condomínios verticais e horizontais de Rio Preto. Outra particularidade é de que não há preferência pelo tipo de material a ser recolhidos. “Independente do valor de mercado do reciclado, temos o compromisso de fazer a coleta e dar a destinação certa”.

Na Associação Rio-pretense de Educação e Saúde (Ares), que reúne 40 catadores, também houve aumento. Ao todo, foram coletados 428 quilos de lata de alumínio – um aumento de 20% em comparação ao ano anterior, quando foram recolhidos 355 quilos do material. No entanto, o volume de garrafa pet caiu de 3,7 toneladas em 2020 para 3,5 toneladas no ano passado. (FN)

Coleta de lata é recorde

Assim como em Rio Preto, a reciclagem de latas de alumínio foi recorde no Brasil em 2021. Segundo dados divulgados pela Recicla Latas, entidade criada pelos fabricantes e recicladores de latinhas para aperfeiçoar o sistema de reciclagem das latinhas no Brasil, o índice de reciclagem em 2021 atingiu a marca inédita de 98,7%.

Em todo o ano passado foram recicladas 415,5 mil toneladas ou 33 bilhões de unidades de um total de 33,4 bilhões de latinhas consumidas. Os dados revelam aumento na comparação com o período anterior, uma vez que, em 2020, o índice obtido foi de 97,4%, com 391,5 mil toneladas de latas recicladas – o que significa 31 bilhões de unidades.

Segundo a entidade, o setor tem mantido o patamar de reciclagem acima de 95% nos últimos dez anos, o que mantém o Brasil no ranking de países que mais reciclam no mundo esse tipo de embalagem. Em todo o País, o sistema de reciclagem gera renda para mais de 800 mil catadores de materiais. (FN)