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Inteligência Artificial não é um bicho de sete cabeças

Assim como outras tecnologias ao longo da história, a IA elimina algumas tarefas, transforma funções e cria novas formas de trabalho; o maior risco não está na tecnologia em si, mas em ignorar sua existência ou resistir ao aprendizado

por Vinicius Rodrigues
Publicado em 06/01/2026 às 03:39
Vinicius Rodrigues (Divulgação)
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Quantas vezes você já ligou o computador achando que algo seria complicado e percebeu, minutos depois, que era mais simples do que parecia?

Durante muito tempo, usar computador parecia algo complicado. Planilhas, então, nem se fala. Hoje, é difícil imaginar o dia a dia de trabalho sem um computador ou sem o Excel. Essas ferramentas deixaram de ser novidade e passaram a fazer parte da rotina. A Inteligência Artificial está seguindo exatamente esse mesmo caminho.

Quando falamos em IA, muita gente ainda imagina algo distante, técnico ou restrito a grandes empresas. Mas a verdade é que ela já está presente no dia a dia de pessoas comuns e já vem sendo usada como ferramenta de produtividade.

Um exemplo simples está na escrita. Hoje, profissionais usam Inteligência Artificial para revisar textos, organizar ideias, melhorar um e-mail, resumir documentos longos ou transformar um rascunho confuso em algo claro. A ferramenta não substitui o pensamento humano, mas economiza tempo e reduz erros, assim como o corretor ortográfico fez no passado.

Outro exemplo está na organização do trabalho. A IA pode ajudar a criar listas de tarefas, organizar agendas, comparar informações e apoiar decisões do dia a dia. Em vez de gastar horas lidando com excesso de informação, as pessoas conseguem focar no que realmente exige análise, julgamento e experiência.

No comércio e nos serviços, a Inteligência Artificial já apoia atividades como atendimento inicial ao cliente, organização de pedidos e orçamentos, sugestão de produtos ou serviços, planejamento de estoque e análise de informações para apoiar decisões. São usos práticos que ajudam a ganhar eficiência, reduzir erros e melhorar a experiência do cliente.

Pensar que a Inteligência Artificial é um bicho de sete cabeças é como imaginar um mecânico tentando trocar a roda de um carro sem usar a chave correta. Ele pode até conseguir, mas vai levar mais tempo, errar mais e se desgastar mais. A ferramenta não faz o trabalho sozinha, mas torna o processo muito mais eficiente.

Assim como outras tecnologias ao longo da história, a IA elimina algumas tarefas, transforma funções e cria novas formas de trabalho. O maior risco não está na tecnologia em si, mas em ignorar sua existência ou resistir ao aprendizado.

Não é necessário ser especialista em tecnologia para começar a usar Inteligência Artificial. Assim como ninguém precisou aprender programação para usar um computador, o desafio agora é cultural: perder o medo, experimentar e aprender gradualmente.

Por isso, falar de IA não é apenas falar de tecnologia, mas de educação e adaptação. Aqui na região, contamos com a APETI (Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação), que atua no desenvolvimento de capacitações, debates e iniciativas para aproximar a tecnologia da realidade das pessoas e das empresas. A IA não é mágica nem ameaça. É uma ferramenta poderosa, cujo valor aparece quando deixa de ser novidade, sendo incorporada ao nosso cotidiano.

Vinicius Rodrigues

CEO na OAK Tecnologia e diretor de capacitação da Apeti