Prevenção como estratégia coletiva
A dengue se comporta como uma guerra, e cada residência representa uma linha de defesa

O recente histórico da dengue em São José do Rio Preto deixou marcas profundas. Em 2025, o município concentrou mais de 50 mil casos confirmados e cerca de 40 mortes, alcançando a maior taxa de incidência do país. O avanço acelerado da doença levou ao colapso do sistema de saúde, à decretação de emergência e a impactos que ultrapassaram a área assistencial, afetando a economia e a rotina da população. Diante desse cenário, a prevenção passa a ser uma estratégia indispensável de saúde pública.
Com esse entendimento, a Unimed São José do Rio Preto propõe, em 2026, uma mobilização regional voltada à prevenção da dengue. A iniciativa parte do princípio de que o enfrentamento da doença não pode se limitar a ações emergenciais, mas exige atuação contínua, informação qualificada e engajamento da sociedade.
A campanha adota uma metáfora clara para traduzir a gravidade do problema: a dengue se comporta como uma guerra, e cada residência representa uma linha de defesa. Estudos mostram que a maioria dos focos do mosquito Aedes aegypti está dentro dos próprios domicílios, em locais como quintais, calhas, ralos, vasos e recipientes com água parada. É nesses espaços que a prevenção efetivamente acontece, por meio de cuidados simples e regulares, capazes de interromper o ciclo de transmissão do vírus.
Ao colocar a população como protagonista, a mobilização reforça que o impacto coletivo depende da soma de atitudes individuais. Pequenas ações, quando adotadas de forma contínua, reduzem significativamente o risco de novos surtos e evitam a sobrecarga da rede assistencial.
A ação envolve cerca de 1.600 médicos cooperados da Unimed Rio Preto, de diferentes especialidades, que atuam como multiplicadores das orientações preventivas no contato direto com pacientes e familiares. A estratégia de comunicação inclui mídia tradicional, canais digitais e comunicação direta com aproximadamente 411 mil clientes, por meio de SMS, WhatsApp e e-mail marketing. Empresas clientes também são estimuladas a adotar práticas preventivas em seus ambientes de trabalho.
O alerta se intensifica diante de estudos que apontam risco de novo ciclo epidêmico em 2026, impulsionado pela circulação do sorotipo DENV-3, pela baixa imunidade da população e pelas mudanças climáticas. Nesse contexto, prevenção ambiental e mobilização social seguem como as ferramentas mais eficazes para proteger vidas.
Marcelo Lucio de Lima
Presidente do Conselho de Administração da Unimed São José do Rio Preto