Cedral altera transporte para o ensino infantil e gera transtorno
Transporte de crianças de 0 a 4 anos agora exige acompanhamento de pais ou responsáveis, que depois não têm a oferta da viagem de volta

Pais de crianças matriculadas no ensino infantil da rede municipal de Cedral foram surpreendidos na última semana com um comunicado, via grupo de WhatsApp, informando que o transporte escolar de crianças de 0 a 4 anos estará condicionado à presença dos pais ou responsável maior de 18 anos no ônibus.
A mudança, estabelecida por meio de mero comunicado, passou a valer nesta segunda-feira, 2, início do ano letivo. O problema é que a decisão contraria Resolução 1/2023, da Coordenadoria Municipal de Educação, que estabelece, logo no Artigo 1º, que os alunos residentes em Cedral e matriculados na rede pública municipal de ensino (o que inclui a educação infantil) terão direito ao transporte escolar. O Artigo 8º traz ainda que “constitui-se em obrigação da família e/ou responsáveis o acompanhamento do (s) aluno (s) do trajeto da residência até o local de embarque indicado pelo Município e, o acolhimento no desembarque”, sem exigir o acompanhamento do responsável no veículo.
A alteração do serviço causou transtornos a famílias de bairros distantes, como Trevo e Califórnia.
A vereadora Carol Amaro (PL) compartilhou um vídeo gravado por uma moradora do Califórnia que mostra uma mãe embarcando com dois bebês no ônibus escolar enquanto a filha de 5 anos permanece na calçada, sob os cuidados da faxineira Cristiane dos Santos.
Isso porque a administração transporta em veículos diferentes bebês e crianças maiores e a menina teve de esperar o ônibus destinado à faixa etária dela.
“O motorista disse que a filha dela, que estava indo de manhã para o projeto de contraturno, não poderia ir com a mãe. Como a minha filha também vai no projeto, me prontifiquei a colocar ela no ônibus. Mal conhecia a mãe dela, mas ajudei por solidariedade”, disse Cristiane à reportagem.
Outro problema é que, embora a Prefeitura de Cedral exija o acompanhamento da criança por familiar, a administração não garante o transporte de volta para os moradores.
“As mães têm de aguardar na rodoviária para pegar o Itamarati e o ônibus chega somente até a rodovia Washington Luís. O restante do percurso elas precisam fazer a pé. Isso é uma violação de direito contra as famílias vulneráveis”, protesta a vereadora.
O prefeito de Cedral, Irineo Beolchi Júnior, havia publicado vídeo nas redes sociais justificando a mudança sob o argumento de que não era obrigação do município zelar por bebês em ônibus. O conteúdo, no entanto, foi removido das páginas da Prefeitura de Cedral nesta terça-feira.
Na última sexta-feira, 30, o promotor André Luís de Souza encaminhou recomendação para que a administração revogasse o ato. Em nota, a Prefeitura informou que recebeu a recomendação do Ministério Público da Infância e está analisando tecnicamente os apontamentos apresentados. Procurado nesta terça-feira, o promotor André informou que entrará com ação contra a Prefeitura de Cedral.