O GANHA GANHA DO ACORDO COMERCIAL

Finalmente, foi assinado o maior acordo de livre comércio do mundo entre Mercosul/União Europeia. Vai abranger cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões.
O acordo integrará dois dos principais blocos comerciais do mundo e é um dos maiores já feitos até hoje pela União Europeia com parceiros comerciais. É um acordo extremamente importante, dado o momento delicado que o mundo está passando, com o presidente americano Donald Trump derrubando e ignorando todos os tratados e acordos feitos pós-Segunda Guerra Mundial, despachando o multilateralismo e adotando regras imperialistas.
O acordo comercial será bom para os dois blocos; será um ganha-ganha. Para o Mercosul, trará novas oportunidades de negócios, ajudará, a médio e longo prazo, a resolver os problemas estruturais do continente sul-americano, provocará competição e inovação tecnológica, o que resultará em novos produtos a preços mais baixos.
Novas tecnologias serão incorporadas. Vamos ter que rever o Custo Brasil; sem isso, não dá para competir. Teremos acesso a produtos de qualidade a preços competitivos, poderemos importar máquinas e equipamentos a custos menores e ampliar a escala de produção. As tarifas variarão de produto para produto em prazos estabelecidos.
Ocorrerá uma troca intensa de experiências entre os blocos, quer profissionais, pessoais e culturais.
Já para a União Europeia, o acordo também será de extrema importância, pois terá os seus mercados abastecidos, sentirá menos a instabilidade americana, terá acesso às nossas experiências produtivas e comerciais e, não menos importante, terá acesso a um mercado de 260 milhões de consumidores no Mercosul.
O acordo pode criar oportunidades para a criação de empresas europeias, especialmente nos setores de serviços, tecnologia e manufaturas, além de garantir acesso a uma fonte importante de recursos naturais. O acordo tem outra função extremamente relevante, que é preservar a estabilidade política entre os dois continentes.
A produtividade da economia brasileira será alavancada, gerando reflexos positivos na produção, no controle da inflação, na geração de empregos e na qualificação profissional.
Para os consumidores brasileiros, o acordo trará resultados rápidos, tais como vinhos europeus mais baratos, eletrônicos com preços mais acessíveis e uma variedade maior de produtos no dia a dia. Já para as empresas, o impacto será profundo e estrutural.
Os efeitos do acordo tendem a ser graduais, mas já perceptíveis nos primeiros cinco anos de implementação. A redução tarifária sobre produtos como carne, etanol, queijos e vinhos prevê uma queda estimada entre 10% e 20% nos preços finais dos produtos europeus, além da ampliação da qualidade e da diversidade dos produtos disponíveis.
A nossa região também poderá ser beneficiada, tanto no agronegócio quanto na prestação de serviços; somos fortes nesses setores. Para as empresas, especialmente as exportadoras ou com interesse em internacionalização, o acordo cria oportunidades interessantíssimas.
Outro ponto extremamente relevante é o acesso ao mercado de compras públicas da União Europeia, tradicionalmente fechado a fornecedores fora do bloco.
Do ponto de vista jurídico, o acordo é um salto regulatório no que diz respeito à integridade corporativa, sustentabilidade e combate à corrupção. Haverá exigências rigorosas por parte da UE em matéria de compliance (fiscalização), due diligence e governança.
O acordo não trata apenas da redução de tarifas comerciais, mas também de alinhar práticas empresariais a padrões europeus consolidados ao longo de décadas. A intensidade e a união de forças desses blocos são um dos grandes legados deste acordo.
O sucesso deste mega acordo pertence a todos os governos que o negociaram, mas, sem dúvida, o governo Lula teve uma participação efetiva e importante neste pacto comercial.