Trump, inteligência maquiavélica
Estamos de volta à Idade das Trevas, onde prepondera a vontade do mais forte

Existe. Está na raiz das estratégias sociais e nós todos a possuímos. Foi o desenvolvimento da manipulação e astúcia dos primatas para alcançar seus objetivos pessoais. “Pessoas com essa inteligência são vistas como calculistas, focadas no interesse próprio e com talento para a manipulação interpessoal”.
Basta pesquisar no campo da psicologia, biologia e primatologia. Mark Rowlands, em seu best-seller “O filósofo e o lobo” (Objetiva), explora o tema, informando a abordagem inicial de Andrew Whiten e Richard Byrne (primatologistas de St. Andrews) e referente ao desenvolvimento do cérebro humano, ligado a exigências do universo social em detrimento do mundo mecânico.
A decadência americana vinha sendo cantada em prosa e verso. Dívidas interna e externa volumosas; avanço da China; homéricos déficits comerciais e definhamento da classe média com a consequente expansão da pobreza. Há mais. Donald Trump, eleito pela segunda vez, credenciou-se para o trabalho. Isso requeria coragem e temperamento para ações audaciosas.
Voltou-se para o velho Protecionismo e impôs altas tarifas para produtos de outros países. Sua retórica sempre foi acompanhada de ameaças e, cumprindo contra a Venezuela, certamente as demais poderão ser concretizadas. Embora creia que, neste momento, o tema a respeito da Groenlândia seja mais para desviar a atenção sobre o ocorrido na Venezuela, onde haverá recuos políticos importantes. Sua palavra nem sempre é lei.
No que concerne ao Hemisfério, especialmente a região da América Latina, é bom levar a sério as ameaças. Nenhum país tem poderio militar ou econômico para enfrentar os Estados Unidos. Nossos presidentes têm tendência irresistível a bravatas e nosso povo está acostumado com elas. Contudo, não se emenda e está sempre propenso a reelegê-los.
Enfim, a esperança reside no fato dos Estados Unidos serem uma Democracia e Trump ter prazo de validade. Mas, enquanto estiver no poder, gostemos ou não, ele vai fazer o seu trabalho. A sociedade americana tem dado forte apoio. Antes da invasão à Venezuela, a aprovação estava por volta de 39% e depois dela subiu para 42%. Não é pouco.
Preocupa o fato que medidas anunciadas legitimam a ação de outro maquiavélico. Vladimir Putin não tem receio sequer de ameaçar a Europa com armas nucleares. A Ucrânia perderá território. Estamos de volta à Idade das Trevas, onde prepondera a vontade do mais forte.
Laerte Teixeira da Costa
Vice-presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e ex-vereador em Rio Preto