Visões para 2026: os caminhos do mercado imobiliário de Rio Preto
A demografia também reforça a necessidade de diversificação da oferta; com alta taxa de urbanização e envelhecimento gradual da população, cidades médias como Rio Preto exigem produtos imobiliários que combinem localização, serviços e conforto

O mercado imobiliário de São José do Rio Preto chega a 2026 em um patamar de maior maturidade, apoiado por dados de inteligência de mercado e por um ambiente urbano altamente desenvolvido. O município, com mais de 500 mil habitantes e elevado índice de desenvolvimento humano, consolidou-se como polo regional de serviços, saúde e educação, sustentando uma demanda consistente por moradia em diferentes faixas de renda.
A primeira grande tendência é a consolidação do morar compacto. Estudos do Secovi-SP mostram que os lançamentos recentes se concentram em unidades de um e dois dormitórios, com metragens otimizadas e foco em projetos bem localizados. Essa configuração atende jovens profissionais, famílias menores e investidores em busca de renda de locação, em linha com a dinâmica de outras cidades paulistas analisadas pela entidade.
No segmento de locação, a leitura é de continuidade de um ciclo positivo, com necessidade de cautela a partir da segunda metade do ano. Conforme análise feita neste mesmo Radar Econômico em dezembro, o mercado de aluguel em Rio Preto projeta para 2026 cenários distintos, dando continuidade a um 2025 de forte aquecimento. A combinação de boa rentabilidade, demanda aquecida e ajustes graduais de juros deve manter a atratividade dos imóveis residenciais para investidores de longo prazo.
Outra base estruturante do mercado local é o mercado econômico. Em Rio Preto, o segmento segue ancorado nos programas habitacionais e nas linhas de crédito voltadas à renda média e baixa, que continuam a responder por parcela significativa dos lançamentos nas cidades paulistas pesquisadas pelo Secovi-SP. Trata-se de um vetor que movimenta a construção civil, gera emprego e contribui diretamente para a redução do déficit habitacional.
A demografia também reforça a necessidade de diversificação da oferta. Com alta taxa de urbanização e envelhecimento gradual da população, cidades médias como Rio Preto exigem produtos imobiliários que combinem localização, serviços e conforto. Essa transformação estrutural pede planejamento e foco na qualidade de vida. A demanda é crescente e tende a ser recorrente, tornando o segmento atrativo.
Por fim, 2026 deve reafirmar uma dualidade já visível: de um lado, forte produção voltada à habitação de interesse social e ao “morar compacto”; de outro, valorização sustentada em bairros consolidados, com boa infraestrutura urbana, que seguem atraindo famílias e investidores.
O desafio do mercado imobiliário de Rio Preto será equilibrar esses movimentos, mantendo capacidade de oferta, inovação em produtos e atenção às condições de crédito, sem perder de vista a função social da moradia e o papel estratégico do setor no desenvolvimento da cidade. Em síntese, trata-se de um mercado atento às mudanças estruturais do País.
Thiago Ribeiro
Diretor-regional do Secovi-SP em São José do Rio Preto