Diário da Região
EDITORIAL

Rodovias sucateadas

Chega de respostas protocolares e soluções paliativas chamadas de emergenciais que, curiosamente, só se tornam emergenciais quando a imprensa denuncia

por Redação
Publicado em 15/02/2026 às 00:45Atualizado em 15/02/2026 às 09:39
Editorial (Divulgação)
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A negligência com que importantes estradas da região vêm sendo tratadas ultrapassa o limite do aceitável e se aproxima perigosamente da omissão criminosa. Quem percorre as principais rodovias, casos da Washington Luís e da BR-153, ou mesmo as vicinais, enfrenta uma situação que envergonha, revolta e, sobretudo, coloca vidas em risco.

No trecho entre Mirassol e Cedral, a Washington Luís transformou-se em teste diário de habilidade e sorte. Motoristas desviam de um buraco para cair em outro, numa coreografia forçada que aumenta exponencialmente o risco de colisões. Multiplicam-se os relatos de pneus estourados, rodas amassadas e suspensões destruídas. Caminhões pesados agravam o problema, mas não são a causa central; são apenas o peso que revela o abandono.

A desculpa da chuva não justifica o cenário, caótico mesmo em tempos de seca. A falta de monitoramento adequado das fissuras, a ausência de manutenção preventiva e o remendo superficial revelam descaso técnico. Tapar o buraco sem reconstruir a base é empurrar o problema para a próxima semana.

Não se trata apenas de conforto, mas de segurança viária. Cada buraco é uma ameaça concreta de acidente grave. Um desvio brusco pode provocar colisão lateral; um pneu estourado em alta velocidade pode resultar em tragédia. A omissão, nesse contexto, deixa de ser simples ineficiência e passa a assumir contornos de irresponsabilidade grave.

Chega de respostas protocolares e soluções paliativas chamadas de obras emergenciais que, curiosamente, só se tornam emergenciais quando a imprensa denuncia, e ainda assim lembram mais um retoque de maquiagem. Definitivamente, a população não pode continuar servindo de cobaia para testes de resistência mecânica.

É preciso ação imediata, fiscalização rigorosa e transparência na definição de responsabilidades. Se a via está sob concessão, que se cumpra o contrato. Se é de gestão estadual ou federal, que o poder público assuma seu dever constitucional de garantir segurança e infraestrutura adequada. O que não se pode mais tolerar é a normalização do caos.

Diante de tantos alertas, relatos e prejuízos, a omissão deixa de ser falha administrativa e se torna uma afronta. Chega de negligência. Chega de empurra-empurra. A responsabilidade precisa ter nome, endereço e consequência.​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​