A Coreia do Sul avança na construção de Sejong, cidade planejada para se tornar o principal centro administrativo do país. Diferentemente de Brasília, cuja criação foi prevista na Constituição brasileira, a transferência da estrutura governamental sul-coreana ocorre por meio de decisões políticas e administrativas.
Localizada a cerca de 125 quilômetros ao sul de Seul, a nova cidade começou a ser construída em 2005 e tem conclusão prevista para 2030, quando deverá abrigar aproximadamente 800 mil habitantes.
Além de estimular o desenvolvimento econômico da região central do país, Sejong possui importância estratégica. Enquanto Seul está a apenas 70 quilômetros da fronteira com a Coreia do Norte, a nova cidade fica quase 200 quilômetros distante do território norte-coreano, oferecendo maior segurança para parte da administração pública em caso de conflitos.

Valor astronômico para implantação do projeto
O projeto foi lançado durante o governo do presidente Roh Moo-hyun, que destinou cerca de US$ 45 bilhões para sua implantação. Embora a Suprema Corte tenha considerado inconstitucional a transferência oficial da capital em 2004, o governo manteve os investimentos e transformou Sejong em uma das chamadas “cidades especiais” da Coreia do Sul.
Atualmente, cerca de 60% dos órgãos da administração pública já funcionam na cidade, que, na prática, exerce o papel de capital administrativa.
A criação de novas capitais ou centros administrativos não é uma exclusividade sul-coreana. Ao longo da história, diversos países adotaram medidas semelhantes por razões políticas, estratégicas ou de desenvolvimento regional.
Os Estados Unidos tiveram nove capitais antes da fundação de Washington; a Turquia transferiu sua capital de Istambul para Ancara em 1923; o Paquistão mudou a sede do governo de Karachi para Islamabad em 1960.
O Brasil inaugurou Brasília no mesmo ano, substituindo o Rio de Janeiro; e a Malásia deslocou seus órgãos administrativos para Putrajaya em 1999, embora Kuala Lumpur permaneça como capital oficial.









