Antigamente, a lagosta era tão comum nos Estados Unidos que ninguém a via como algo especial. Pelo contrário, era oferecida a escravos, prisioneiros e trabalhadores pobres, porque era abundante e fácil de conseguir nas praias.
Naquela época, era comum encontrar pilhas de lagostas encalhadas após tempestades. Isso fazia delas uma proteína barata e disponível em praticamente toda a costa da Nova Inglaterra. Por isso, acabou ganhando fama de “comida de castigo”.
Relatos históricos mostram que servos contratados chegavam a reclamar de comer lagosta demais. Alguns contratos até limitavam o consumo para não mais que três vezes por semana. Para a elite, ela tinha aparência de “inseto marinho” e não era vista com bons olhos.
A transformação da lagosta em iguaria
A mudança começou no século XIX, quando novas tecnologias ajudaram a levar a lagosta para regiões onde ela não existia. O enlatamento e as ferrovias permitiram que o alimento chegasse ao interior dos EUA, onde era desconhecido e, portanto, mais valorizado.
Longe das praias, a lagosta passou a ser vista como algo diferente e exótico. Isso abriu espaço para um novo mercado, e o preço subiu junto com o interesse das pessoas que nunca tinham experimentado o sabor do crustáceo fresco.
Com o tempo, chefs e restaurantes sofisticados passaram a criar receitas que destacavam seu sabor. Assim, a lagosta deixou de ser comida de pobre e virou um prato desejado por quem buscava luxo e exclusividade.
Hoje, a pesca mais controlada, o esforço necessário para capturar o animal e a procura mundial aumentam ainda mais seu valor. A lagosta se tornou, de vez, um símbolo de status — uma transformação impressionante para quem já foi considerada indigna até da mesa da elite.





