Pesquisadores da Finlândia vêm registrando avanços na transmissão de energia elétrica pelo ar, sem o uso de cabos. Diferentemente das propostas históricas, os estudos atuais não prometem energia gratuita em larga escala, mas soluções pontuais para aplicações específicas.
A transmissão de energia sem fio parecia inviável por décadas, limitada à teoria ou a demonstrações isoladas. Hoje, universidades e centros de pesquisa finlandeses, como o VTT e grupos ligados à Universidade de Helsinki, desenvolvem sistemas baseados em princípios físicos já conhecidos, aplicados com maior controle tecnológico.

Do sonho de Tesla às aplicações atuais
Nikola Tesla acreditava que a eletricidade poderia ser transmitida pelo ar como um bem universal. Seu projeto mais ambicioso, a Torre de Wardenclyffe, pretendia demonstrar essa possibilidade em escala global.
Apesar de testes bem-sucedidos, como lâmpadas acesas sem fios, a falta de tecnologia adequada e de investimentos levou ao abandono da ideia. Na Finlândia, a abordagem é mais prática. Os pesquisadores utilizam o acoplamento eletromagnético ressonante, técnica semelhante à dos carregadores sem fio de celulares.
Um transmissor gera um campo eletromagnético controlado, enquanto um receptor ajustado na mesma frequência capta a energia e a converte em eletricidade. O processo funciona apenas em curtas distâncias e com eficiência limitada.
Os experimentos permitem alimentar sensores, dispositivos eletrônicos e equipamentos de baixa potência sem contato físico. Também existem testes iniciais com ondas ultrassônicas para criar caminhos temporários no ar, mas essas pesquisas ainda estão restritas a laboratório.
Os estudos não indicam a criação de um sistema capaz de abastecer residências ou cidades. As aplicações previstas envolvem sensores industriais, dispositivos médicos implantáveis, equipamentos em ambientes hostis, monitoramento remoto e Internet das Coisas.





