Enquanto Portugal adota regras mais rígidas para a imigração, um país vizinho segue na direção oposta e abre novas oportunidades para brasileiros que desejam trabalhar legalmente na Europa. A diferença de postura chama atenção e impacta diretamente quem busca melhores condições de vida fora do país.
A Itália anunciou, em 17 de novembro, um decreto que facilita a concessão de vistos de trabalho para descendentes de italianos. A medida beneficia pessoas de sete países, incluindo o Brasil, e dispensa o limite de cotas aplicado a estrangeiros de fora da União Europeia.
Para ter acesso ao visto, é necessário comprovar a ascendência italiana e apresentar um contrato de trabalho válido com um empregador no país. O documento permite apenas o exercício profissional e não dá direito automático à solicitação de cidadania italiana.
A iniciativa foi apresentada pelo vice-primeiro-ministro e chanceler Antonio Tajani como resposta à escassez de mão de obra. Com a população envelhecendo e menos jovens no mercado, a Itália busca trabalhadores para manter setores essenciais em funcionamento. Anteriormente, a mesma Itália havia dificultado a cidadania para brasileiros e outros estrangeiros, mas a necessidade crescente de trabalhadores obrigaram eles a voltar atrás.
Portugal endurece regras e fecha caminhos tradicionais
Em sentido contrário, Portugal colocou em vigor novas regras de imigração a partir do dia 23 de outubro deste ano. A mudança ocorreu após forte pressão política interna e alterou de forma significativa a legislação que antes facilitava a permanência de estrangeiros no país.
Entre as principais mudanças está o fim do visto de trabalho genérico, muito usado por brasileiros. Agora, apenas profissionais considerados altamente qualificados poderão obter autorização, embora a lista oficial dessas profissões ainda não tenha sido divulgada.
Além disso, turistas não poderão mais solicitar residência após entrar no país, prática comum no passado. O prazo para pedir cidadania portuguesa também aumentou, passando de cinco para sete anos de residência legal, afetando milhares de famílias brasileiras.
As novas regras atingem diretamente os mais de 500 mil brasileiros que vivem em Portugal. Setores como serviços, construção civil e turismo, onde os brasileiros são maioria entre os estrangeiros empregados, devem sentir os impactos das mudanças nos próximos anos.





