Um estudo realizado no Japão aponta que o consumo regular de queijo pode estar associado à redução do risco de demência em idosos. O envelhecimento populacional tem ampliado os casos da doença: atualmente, mais de 50 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, número que pode triplicar até 2050, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A pesquisa foi publicada na Nutrients e analisou dados de 7.914 pessoas com 65 anos ou mais, residentes em domicílio e sem necessidade prévia de cuidados prolongados. As informações foram coletadas entre 2019 e 2022 por meio do Japan Gerontological Evaluation Study (JAGES). Os participantes foram divididos entre os que consumiam queijo ao menos uma vez por semana e os que não consumiam.
Durante o período analisado, 3,4% dos consumidores desenvolveram demência, contra 4,5% entre os que não ingeriam queijo, uma redução relativa de 24% no risco. Após ajustes para fatores como estilo de vida e alimentação, a redução permaneceu em 21%, mantendo relevância estatística.

Possíveis explicações biológicas
O queijo é fonte de vitamina K2, nutriente ligado à saúde vascular. Como problemas circulatórios e hipertensão aumentam o risco de demência, a melhora da saúde dos vasos sanguíneos pode influenciar a proteção cognitiva. O alimento também fornece proteínas e aminoácidos importantes para a função neuronal.
Queijos fermentados contêm probióticos que podem atuar no eixo intestino-cérebro, mecanismo cada vez mais associado à saúde mental. No entanto, muitos participantes consumiam queijos processados, com menor teor de compostos benéficos.
Os pesquisadores ressaltam limitações, como a avaliação única do consumo alimentar e a ausência de diagnósticos clínicos detalhados. Ainda assim, os dados reforçam a necessidade de novos estudos sobre o papel do queijo na prevenção da demência.





