A Faber-Castell, conhecida fabricante de lápis, acusou o Governo da Costa Rica de utilizar sua antiga fábrica como centro de detenção para migrantes. A planta, localizada no cantão de Corredores, próximo à fronteira com Panamá, foi fechada em 2013 e doada ao Estado costarriquenho em 2018. A doação foi feita com a condição de que o imóvel fosse destinado exclusivamente a fins humanitários.
Recentemente, a empresa foi informada de que o local, agora chamado Centro de Atendimento Temporal para Migrantes (Catem), foi utilizado em 2025 para abrigar migrantes deportados dos Estados Unidos.
Segundo a denúncia, ao menos 200 pessoas foram mantidas lá durante semanas ou meses, sob custódia estatal, sem possibilidade de sair. A Faber-Castell afirmou que não tinha conhecimento dessa mudança de uso até ser contatada pelo jornal britânico The Guardian.

Condições e direitos dos migrantes
Os relatos de migrantes que passaram pelo Catem incluem a retenção de passaportes e restrições à liberdade de movimento. Além disso, muitos relataram impactos negativos em sua saúde física e emocional.
A Sala Constitucional da Costa Rica decidiu em 2025 que a detenção dessas pessoas foi ilegal, uma vez que o centro não foi projetado para esse fim e não tinha base legal suficiente, configurando uma violação dos direitos fundamentais.
Em resposta às acusações, o Ministério de Segurança Pública da Costa Rica negou as alegações e afirmou que as medidas adotadas foram baseadas em critérios humanitários. O governo argumentou que as pessoas deportadas não possuíam visto para entrar no país e estavam em situação de vulnerabilidade.





