A abertura de capital do PicPay nos Estados Unidos colocou o Brasil no radar do mercado acionário internacional. A operação marcou o primeiro IPO brasileiro na Nasdaq desde a estreia do Nubank, em 2021. Na operação, a empresa vendeu 22,86 milhões de ações ao preço de US$ 19 cada, valor definido no topo da faixa indicativa.
Com isso, o PicPay alcançou valor de mercado próximo de US$ 2,6 bilhões. A demanda superou em cerca de doze vezes o volume ofertado, com interesse de investidores globais, enquanto investidores brasileiros ficaram com cerca de 15% da alocação.

Perfil da empresa e estrutura da oferta
Fundado em 2012 como carteira digital, o PicPay evoluiu para um banco completo com licença bancária. Em dezembro do último ano, a fintech somava cerca de 67 milhões de clientes. A companhia foi adquirida pela família Batista em 2015 e integra o portfólio da J&F Investimentos. Após a oferta, a família manteve aproximadamente 98% do poder de voto.
Os números financeiros mostram lucro líquido de R$ 270,4 milhões nos nove meses encerrados em setembro, com receita de R$ 7,26 bilhões. No mesmo período do ano anterior, o lucro foi de R$ 150,8 milhões, com receita de R$ 3,78 bilhões. O fundo Bicycle atuou como investidor âncora, com aporte de US$ 75 milhões.
Parte da atenção do mercado está relacionada ao modelo de negócios. Cerca de 70% da originação recente de crédito vem de produtos com garantias, como consignado e antecipação do saque aniversário do FGTS. Outro ponto citado é o Pix Crédito em cartões de terceiros, no qual o risco permanece com a instituição emissora.





