A onça-pintada, o maior felino das Américas, está enfrentando uma grave crise na Mata Atlântica. Reconhecida pela sua importância ecológica, a espécie se vê em um cenário de declínio alarmante devido à destruição de seu habitat e à diminuição de suas presas.
Especialistas alertam que a combinação desses fatores pode levar à extinção da onça-pintada na região, tornando a Mata Atlântica o primeiro bioma a perder um predador de topo da cadeia alimentar.
Declínio das presas disponíveis
Um estudo realizado por cientistas brasileiros revelou que a disponibilidade de presas para a onça-pintada caiu a níveis críticos, mesmo em áreas protegidas. As principais presas do felino, como o porco-do-mato, o cateto e os cervídeos, estão sendo dizimadas devido à caça.
A professora Katia Ferraz, coordenadora da pesquisa, destacou que a baixa abundância dessas espécies é uma das principais causas do estado crítico da onça-pintada. Atualmente, a população de felinos na Mata Atlântica, estimada em cerca de 300 exemplares, não encontra alimento suficiente para sua sobrevivência.
A presença humana tem um impacto significativo na situação da onça-pintada e de suas presas. O estudo demonstrou que as presas aparecem em maior número em áreas de difícil acesso para os humanos, o que sugere que a caça ilegal é um fator determinante para a diminuição das populações de presas.
A pesquisa indica que o aumento do acesso humano às áreas protegidas está diretamente relacionado à pressão de caça, resultando em um ecossistema desbalanceado que afeta tanto a onça-pintada quanto suas presas.
Os dados do estudo foram publicados na revista Global Ecology and Conservation, com a participação de diversas instituições, incluindo o Instituto de Pesquisas Cananeia e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Essa colaboração é essencial para entender a gravidade da situação e desenvolver estratégias de conservação que possam proteger a onça-pintada e suas presas.





