Santana do Livramento está localizada no extremo sul do Rio Grande do Sul e faz fronteira direta com o Uruguai, formando uma das mais conhecidas cidades gêmeas do país. O município teve papel central na história ferroviária brasileira e sul-americana.
A cidade se une fisicamente a Rivera, no Uruguai, sem barreiras naturais ou muros, o que sempre facilitou a circulação de pessoas e mercadorias. No entanto, foi com a chegada dos trilhos que Livramento passou a integrar um projeto internacional de grande escala.
Ainda em 1876, o general Osório defendeu no Senado brasileiro a construção de uma estrada de ferro até a fronteira do Rio Grande do Sul. Ele destacava justamente Santana do Livramento como ponto estratégico para a defesa e a integração do território nacional.
A estação ferroviária foi inaugurada em 1910, a 183 metros acima do nível do mar. Ela se tornou a ponta do ramal que ligava Cacequi à fronteira, conectando o Brasil ao sistema ferroviário uruguaio.
Em maio de 1912, foi inaugurado o tráfego mútuo entre Livramento e Rivera, permitindo uma ligação inédita. Trens passaram a conectar Rio de Janeiro e São Paulo a Montevidéu e, até mesmo, a Buenos Aires.
Com o avanço das ferrovias, novos ramais foram criados e, em 1925, Livramento passou a se ligar também a Dom Pedrito e São Sebastião. No entanto, parte dessas conexões foi desativada no fim dos anos 1970, reduzindo a malha ativa.

Os trilhos uruguaios chegavam até o Frigorífico Armour, de onde saía diariamente um trem frigorífico rumo a Montevidéu. Esse trem protagonizou, em 1927, um dos maiores acidentes da história ferroviária do Uruguai.
Estruturas foram ‘abandonadas’
Durante décadas, passageiros desembarcavam em Livramento e caminhavam até Rivera para seguir viagem em trens internacionais. No entanto, com o abandono das estruturas, a antiga estação entrou em processo acelerado de degradação.





