Quando costumamos sair de casa e deixamos os cachorros sozinhos, é comum ouvi-los latir e até mesmo chorar. Por conta disso, sempre tem aquele familiar que aponta o dedo acusando: “Ele chora quando está sozinho porque você o mima demais”. Mas não é bem assim que as coisas funcionam.
Segundo o veterinário Enzo Roubaud, os problemas de separação são o principal motivo de consulta em sua clínica. Ao contrário do que o senso comum aponta, a questão não está relacionada à ansiedade. Na verdade, as causas podem ser diversas.

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“Isso é um mito. A ansiedade de separação tem múltiplas causas e não se deve à forma como você o criou. Pensar dessa forma é simplista e punitivo”, explica o veterinário.
Especializado em comportamento animal no Chile, o profissional explica que existe o fenômeno “cães da pandemia”, que são aqueles animais que passaram os primeiros meses de vida confinados em casa com seus donos devido à crise da COVID-19 e, quando a situação voltou ao normal, não conseguiram se adaptar às novas rotinas.
São cães que têm dificuldade em ficar sozinhos em casa porque sempre estiveram acompanhados. O mesmo conceito se aplica aos bichinhos que nasceram antes deste período pandêmico, que podem ser influenciados pela genética da mãe: “Não podemos controlar a genética de um animal”, acrescenta.
Período de socialização é importante
De acordo com o veterinário, estudos indicam que durante o período de socialização do cão é importante porque é o momento que irá prepará-lo para o futuro. Essa fase começa por volta da terceira semana e normalmente dura até entre 12 e 16 semanas de idade.
Se o cachorro passou todo o tempo de socialização sozinho, sem contato com a mãe ou outros cães, isso influencia em seu comportamento futuro.




