Um acontecimento raro animou biólogos no Nordeste brasileiro e chamou atenção de quem acompanha a fauna da região. Depois de décadas sem registros, uma espécie desaparecida voltou a mostrar sinais de vida, reacendendo a esperança para projetos de conservação.
Trata-se do periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), símbolo da Caatinga e ameaçado de extinção, que começou a se reproduzir na Reserva Natural Serra das Almas, entre o Ceará e o Piauí. Os filhotes nasceram em 17 de março de 2026, após semanas de monitoramento em caixas-ninho instaladas para simular cavidades naturais de árvores.
A espécie havia desaparecido da Serra das Almas por mais de 100 anos e hoje conta com cerca de 23 indivíduos vivendo soltos. O coordenador do Projeto Cara-Suja, Fábio Nunes, afirma que a reprodução precoce é um sinal de que os periquitos estão se adaptando bem ao novo ambiente.
Vindos de regiões mais úmidas, os periquitos precisaram aprender a viver na Caatinga, reconhecer novas fontes de alimento e identificar predadores. “Os filhotes que nascem agora já crescem totalmente inseridos nesse ambiente”, explica Nunes, mostrando o sucesso da reintrodução.
A analista da Associação Caatinga, Ariane Ferreira, destaca que a quantidade de ovos superou as expectativas. A projeção é otimista, mas a fase inicial ainda exige atenção, já que a predação, dificuldade de alimentação e chuvas podem afetar a sobrevivência.
As caixas-ninho foram essenciais para o resultado, permitindo a postura de 33 ovos e o nascimento dos primeiros filhotes em liberdade. Parte das aves passou por resgate e reabilitação no Parque Arvorar, em parceria com o Ibama, antes de serem soltas na natureza.

Espécie está sendo reconstruída
O sucesso também se estende ao Parque Nacional de Ubajara, com quase 50 ovos e 28 filhotes até o momento. Diego Rodrigues, chefe do parque, afirma que o feito representa mais que o retorno da espécie, no caso, sendo como uma reconstrução de uma história interrompida.





