A cidade mais seca do mundo acumula séculos sem chuvas. Localizada entre o Oceano Pacífico e as encostas do Deserto do Atacama, Arica não recebe uma gota d’água há 400 anos, ou seja, bem próximo a época em que o Brasil foi descoberto, lá em 1500.
O município do extremo norte do Chile possui dois recordes verificados pelo Guinness World Records: o de lugar mais seco habitado do planeta e o de maior período contínuo sem chuva já documentado. Diz que Calama, cidade vizinha, teria passado o recorde de quatro séculos sem chuvas, porém não há comprovação.
Arica tem uma precipitação anual média de apenas 0,76 mm. Entre outubro de 1903 e janeiro de 1918, o município chileno chegou a marca de 172 meses seguidos sem precipitação mensurável. Foram mais de 14 anos de seca absoluta.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a estação do aeroporto da cidade registrou esse índice no decorrer de 59 anos. Para se ter ideia do quão significativa é a seca de Arica, o município de São Paulo recebe cerca de 1.400 mm de chuva por ano.
Explicações sobre a seca de Arica
Não por acaso, os especialistas da área ficam intrigados com a falta de chuva da cidade chilena. Na busca por uma resposta, três fatores são apontados como explicações para a aridez do lugar: a corrente de Humboldt, que resfria o ar e impede nuvens de chuva; o anticiclone do Pacífico Sul, que bloqueia a ascensão de massas úmidas; e a Cordilheira dos Andes, que barra a umidade amazônica.
O resultado da junção desses fatores é uma inversão térmica constante que mantém Arica sob céu nublado sem produzir uma gota de chuva. Chamada de camanchaca, a neblina costeira é a principal fonte natural de umidade.





