Um chimpanzé chamado Kanzi tornou-se protagonista de um experimento que desafiou ideias tradicionais sobre os limites cognitivos dos primatas. Criado em ambiente humano e conhecido por sua habilidade de comunicação por símbolos, ele participou de testes conduzidos por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins e da Universidade de St. Andrews.
O objetivo era investigar se ele seria capaz de representar mentalmente objetos inexistentes — uma habilidade considerada central na imaginação humana. No primeiro experimento, os cientistas colocaram duas xícaras vazias diante de Kanzi e simularam despejar suco imaginário em ambas, esvaziando depois apenas uma delas.
Ao ser solicitado a escolher, ele apontou corretamente para a xícara que “ainda continha” o suco invisível em 34 de 50 tentativas, desempenho acima do esperado ao acaso. O resultado indicou que ele acompanhou mentalmente a situação fictícia.

Testes com objetos reais e implicações
Para descartar confusão entre realidade e simulação, os pesquisadores repetiram o procedimento com suco verdadeiro. Nessa condição, Kanzi escolheu corretamente cerca de 80% das vezes. Em outro teste com uvas imaginárias, o padrão se manteve.
Os dados sugerem que ele distinguia entre objetos reais e fictícios, mantendo representação consistente mesmo quando nada estava fisicamente presente. Os resultados levantam questões sobre a origem evolutiva da imaginação. O coautor Christopher Krupenye propôs que essa capacidade pode ter raízes anteriores ao surgimento dos humanos.
Já Michael Tomasello adotou cautela, argumentando que reagir a objetos invisíveis não equivale ao jogo simbólico humano. Além disso, o fato de Kanzi ter sido criado em ambiente humano limita generalizações. Ainda assim, o estudo amplia o debate sobre cognição e evolução mental nos primatas.





