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Ter cartões telefônicos guardados em casa é o mesmo que ter um tesouro

Por Ana Carolina
27/03/2026
Créditos: Coluna Variedades/Diário da Região

Créditos: Coluna Variedades/Diário da Região

A paisagem urbana do Brasil está passando por uma transformação silenciosa, mas cheia de significado. A Anatel começou a retirada definitiva dos orelhões em diversas cidades do país, colocando um ponto final em um dos símbolos mais marcantes da comunicação pública. Porém, ao contrário do que parece, esse “fim” também está reacendendo o interesse por um mercado inesperado e bastante lucrativo: a venda de cartões telefônicos.

Antes da popularização dos celulares, os cartões telefônicos eram itens indispensáveis no dia a dia. Bastava inseri-los no orelhão e acompanhar os créditos sendo consumidos conforme a ligação avançava. Era algo comum, quase banal.

Hoje, esses pequenos pedaços de plástico ganharam um novo status: viraram relíquias. Grupos de colecionadores espalhados pelo Brasil movimentam milhares de mensagens diariamente, com negociações intensas. Assim, alguns cartões considerados raros podem alcançar valores de até R$ 10 mil, dependendo da exclusividade.

O que faz um cartão valer tanto?

Se você tem cartões telefônicos guardados em casa, pode estar sentado sobre uma pequena fortuna sem saber. Os itens mais valiosos costumam ter características bem específicas:

  • Baixa tiragem: quanto menos unidades produzidas, maior o valor
  • Erros de fabricação: falhas tornam o cartão único
  • Séries especiais: edições que não chegaram a circular amplamente
  • Itens raríssimos: como a famosa coleção dourada da Turma da Mônica

Enquanto os orelhões desaparecem das ruas, eles deixam para trás mais do que lembranças. Criam oportunidades. A chamada telecartofilia, que representa o colecionismo de cartões telefônicos, prova que até objetos simples do passado podem ganhar novo significado (e alto valor) com o tempo.

Ou seja, aquilo que parecia obsoleto pode, na verdade, ser um tesouro escondido esperando para ser redescoberto.

Créditos: Coluna Variedades/Diário da Região

Cartões substituíram as fichas nos orelhões

A evolução dos orelhões no Brasil reflete bem como a tecnologia transforma hábitos do dia a dia. Um dos marcos mais importantes dessa história aconteceu em 1992, quando os tradicionais telefones públicos passaram por uma grande mudança: as antigas fichas deram lugar aos cartões telefônicos.

Essa transição não foi apenas estética, mas estratégica. O novo sistema de cartões magnéticos de indução trouxe vantagens importantes. Ele reduziu os custos de manutenção, eliminou a necessidade de recolher fichas manualmente e ajudou a combater o vandalismo, que era frequente nos aparelhos mecânicos. Além disso, tornou o uso muito mais prático para a população.

O Brasil, inclusive, saiu na frente ao adotar essa tecnologia, sendo considerado pioneiro no uso de cartões telefônicos de indução em larga escala.

Com o fim das fichas, algo curioso aconteceu: aquilo que era comum no dia a dia rapidamente se transformou em item de coleção. Primeiro foram as fichas, depois os próprios cartões telefônicos, que se popularizaram nos anos 90 e passaram a ser disputados por colecionadores.

Fim dos orelhões no Brasil

O fim de uma era na comunicação brasileira já tem data marcada. Os icônicos telefones públicos, popularmente conhecidos como orelhões, devem ser totalmente aposentados até o final de 2028. Atualmente, restam apenas cerca de 30 mil terminais em operação, um contraste gigante com o auge do serviço, quando o Brasil chegou a ter mais de 1,5 milhão de aparelhos espalhados por ruas e praças.

Lançados em 1972, os orelhões ganharam o mundo com seu design curvo e funcional, criado pela arquiteta chinesa radicada no Brasil, Chu Ming Silveira. O formato foi pensado para proteger o usuário do ruído externo e da chuva, tornando-se um símbolo da identidade visual das cidades brasileiras.

Créditos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A estrutura que conhecemos foi consolidada em 1998, com a privatização do setor. Na época, as concessionárias de telefonia fixa (como Oi, Vivo e Claro) assinaram contratos que as obrigavam a manter os orelhões como uma contrapartida social pela exploração do serviço de voz.

Com o fim desses contratos em dezembro de 2025, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e o governo iniciaram uma migração do regime de concessão para o de autorização (regime privado).

O objetivo: Em vez de gastar recursos mantendo aparelhos que caíram em desuso devido aos celulares, o foco agora é estimular investimentos pesados em redes de banda larga. A retirada dos orelhões faz parte de um plano de universalização que prioriza o acesso à internet em vez da telefonia fixa pública.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Ana Carolina

Ana Carolina

Apaixonada por música, foi editora do site Sertanejo Todo Dia. É especialista na produção de conteúdo para web.

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