Um dos peixes mais tradicionais do território brasileiro foi reclassificado pelo Ibama e passou a ser considerado um invasor. O peixe em questão é o pirarucu, uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia, que agora tem sua pesca liberada pelo órgão.
Recentemente, o Ibama publicou a Instrução Normativa nº 7, que enquadra a espécie como exótica invasora em dez regiões hidrográficas do país e também na parte superior do rio Madeira, que fica acima da barragem de Santo Antônio, em Rondônia.
A nova regra libera a pesca e o abate do animal sem limite de cota, tamanho ou época do ano. Ou seja, na prática ela permite a captura tanto por parte de pescadores profissionais quanto por parte de pescadores artesanais. Vale para o ano todo nessas áreas, desde que não sejam devolvidos ao ambiente.

Ainda de acordo com o texto, o produto obtido através desse controle populacional só pode ser comercializado dentro do estado onde ocorreu a captura. O descumprimento das diretrizes, como a venda fora da unidade da federação de origem, pode resultar em apreensão.
Convém destacar que dentro da área natural de ocorrência, o pirarucu continua sendo uma espécie nativa e importante econômica e ambientalmente. É fora desse espaço que o peixe pode causar pressão sobre a ictiofauna local por reunir características típicas de um predador de topo, capaz de ocupar diferentes nichos do ambiente aquático.
Alterações ambientais afetam habitat do animal
A razão pela qual o pirarucu passou a avançar para trechos onde não costumava ir são as alterações ambientais ocorridas na região. A avaliação técnica aponta que, antes das mudanças no curso do rio Madeira, corredeiras e trechos de águas mais rápidas serviam como barreiras naturais para a espécie.
A partir do momento em que esse cenário se altera, o peixe passa a se expandir para áreas acima da antiga Cachoeira de Santo Antônio, assim se tornando um invasor.





