A nova legislação que ajusta a cobrança do Imposto de Renda começa a valer em janeiro e redesenha a tributação sobre salários no país. A medida deve aliviar o bolso de milhões e fortalecer discursos presentes no debate político.
Com a mudança, quem recebe até R$ 5 mil mensais deixa de pagar IR, enquanto rendimentos de até R$ 7.350 passam a ter desconto gradual. O governo calcula que cerca de 16 milhões de trabalhadores serão contemplados pela atualização.

A aprovação no Congresso ocorreu sem resistência, já que a proposta atende interesses de diferentes legendas. Na Câmara, o texto passou de forma unânime, e no Senado a votação consolidou o entendimento de que a revisão era urgente.
Tramitação marcada por disputas no Senado
Embora o mérito não tenha sido contestado, o andamento do projeto expôs rivalidades entre parlamentares. O senador Renan Calheiros sugeriu ajustes após consultas técnicas, mas recuou diante do risco de atrasar a entrada em vigor da regra.
As trocas de acusações com Arthur Lira revelaram divergências sobre inserções no texto. Mesmo assim, prevaleceu a articulação pela aprovação sem mudanças, permitindo que o governo comemorasse mais uma entrega dentro de suas prioridades econômicas.
A nova tabela traz impacto direto no orçamento de categorias como a dos professores. Uma docente que recebe o piso nacional, por exemplo, deixará de ter desconto mensal, beneficiando-se plenamente da faixa de isenção criada.
Compensação recai sobre contribuintes de maior renda
Para equilibrar a redução de arrecadação, a lei prevê tributação adicional sobre quem ganha acima de R$ 600 mil ao ano. A cobrança será escalonada e atinge parcela pequena da população, estimada pelo governo em 0,13% dos contribuintes.
A taxação também alcança dividendos enviados ao exterior, que passarão a ser tributados na fonte. A medida busca corrigir brechas utilizadas por profissionais que optam por receber rendimentos como pessoa jurídica.





