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Abelhas que escaparam de laboratório no Brasil criaram uma espécie “assassina” que está invadindo os EUA

Por Fagner Gregório
30/05/2026
Créditos: Shutterstock

Créditos: Shutterstock

A invasão de uma nova espécie de abelhas nos Estados Unidos tem suas raízes em um incidente ocorrido no Brasil, onde abelhas africanas escaparam de um laboratório. O evento aconteceu após uma falha de manipulação em um centro de pesquisa próximo a São Paulo, onde as abelhas africanas se cruzaram com variedades locais, resultando na criação das chamadas abelhas africanizadas, conhecidas popularmente como “abelhas assassinas”. 

Na década de 1950, o Brasil buscava aumentar a produção de mel na Amazônia e para isso, o governo contratou o geneticista Warwick Estevam Kerr. Ele tinha a intenção de cruzar abelhas africanas, que são altamente produtivas, com abelhas locais mais dóceis.

Apesar de estar ciente dos riscos, Kerr seguiu com o projeto, implementando medidas de segurança para evitar a fuga das rainhas africanas. Contudo, um erro humano permitiu que 26 rainhas escapassem, iniciando a proliferação da nova espécie híbrida.

Características das abelhas africanizadas

As abelhas africanizadas não possuem um veneno mais potente que o das abelhas comuns, mas seu comportamento coletivo é o que as torna perigosas. Enquanto abelhas europeias podem enviar algumas operárias para investigar uma ameaça, as africanizadas atacam em massa, perseguindo intrusos por longas distâncias. 

Essas abelhas têm se espalhado rapidamente, colonizando entre 300 e 500 quilômetros anualmente. Elas avançaram pela América Central e chegaram ao sul dos Estados Unidos na década de 1990, com o primeiro registro de fatalidade em 1993. Inicialmente, as abelhas africanizadas enfrentaram um limite natural, pois não conseguiam sobreviver aos invernos rigorosos do norte.

No entanto, com o aquecimento global, os invernos estão se tornando mais amenos, permitindo que essas abelhas se estabeleçam em novas regiões. Diante dessa invasão, o setor agrícola está buscando soluções para lidar com a presença das abelhas africanizadas.

Uma técnica em uso é o “drone-flooding”, que envolve a liberação de machos europeus na natureza para aumentar as chances de acasalamento com rainhas e reforçar a população de abelhas europeias. Além disso, a prática de substituir regularmente as rainhas nas colônias é adotada para manter a linhagem europeia e garantir um comportamento menos agressivo.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Fagner Gregório

Fagner Gregório

Jornalista graduado pela SATC (Santa Catarina), atua na produção de conteúdo jornalístico para web. Tem experiência em redação de portais (4oito) e jornais, além de assessoria de comunicação. Escreve principalmente sobre programas sociais como Bolsa Família, Caixa Tem e benefícios do Governo.

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