Uma pequena cidade do interior da Bahia ocupa posição de destaque no cenário energético nacional. Caetité abriga a única mina de urânio em operação no Brasil, localizada na região de Lagoa Real, responsável por concentrar uma das maiores reservas conhecidas do minério no país.
Lagoa Real concentra a produção brasileira
A mina de Lagoa Real é atualmente a principal fonte de urânio explorada em território nacional. A produção anual estimada gira em torno de 400 toneladas, volume considerado relevante em escala interna, embora ainda distante dos grandes produtores mundiais.
Reservas estimadas reforçam potencial do Brasil
Levantamentos geológicos indicam que a região de Lagoa Real possui cerca de 99,1 mil toneladas de recursos estimados de urânio. Esse volume coloca o Brasil entre os países com reservas significativas do minério, reforçando o papel estratégico da Bahia no setor nuclear.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) coordena programas de avaliação do potencial de minerais radioativos no país. O objetivo é ampliar o conhecimento técnico sobre as reservas existentes e identificar novas áreas promissoras, especialmente na Bahia, no Ceará e em partes do Pará.

Uso do urânio é majoritariamente energético
No Brasil, aproximadamente 99% do urânio extraído é destinado à geração de energia elétrica em usinas nucleares. Uma pequena parcela é utilizada em pesquisas científicas, aplicações médicas e atividades agrícolas, evidenciando o caráter estratégico do minério para a matriz energética nacional.
Apesar da relevância econômica, a exploração do urânio envolve riscos à saúde e ao meio ambiente. A manipulação inadequada pode causar danos graves, o que torna indispensáveis protocolos rigorosos de segurança, monitoramento ambiental contínuo e fiscalização permanente das atividades.
Desafios para transformar reservas em desenvolvimento
Especialistas apontam que o potencial existente só poderá se converter em benefícios duradouros com investimentos em tecnologia, licenciamento ambiental criterioso e diálogo com comunidades locais. Governança, transparência e planejamento de longo prazo são considerados fundamentais para que a exploração do urânio contribua para o desenvolvimento sem comprometer a saúde pública e o meio ambiente.




