O governo federal lançou na última segunda-feira (29) o Fies Empreendedor, uma nova linha de crédito voltada a estudantes e ex-estudantes que mantêm os pagamentos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em dia.
A iniciativa prevê financiamentos de até R$ 80 mil para pessoas físicas e até R$ 180 mil para pessoas jurídicas, com juros a partir de 0,87% ao mês, destinados à abertura ou expansão de negócios.
O programa é direcionado a beneficiários que já estão na fase de amortização do Fies e que tenham quitado as últimas 36 parcelas sem atrasos ou renegociações. Segundo o governo, a estimativa inicial é de que entre 50 mil e 125 mil pessoas possam ser atendidas pela nova modalidade de crédito.
De acordo com o Ministério da Educação, o Fies Empreendedor não prevê perdão, descontos ou renegociação das dívidas do financiamento estudantil. A proposta é estimular a adimplência e, ao mesmo tempo, facilitar o acesso ao crédito para que recém-formados possam investir em atividades profissionais ou empreender.
Apesar disso, o anúncio gerou críticas de parte dos estudantes adimplentes. Representantes do grupo afirmaram que esperavam medidas semelhantes às concedidas a programas voltados a inadimplentes, que chegaram a oferecer descontos expressivos para regularização de débitos.
Nas redes sociais, integrantes do movimento classificaram a iniciativa como insuficiente e alegaram que a prioridade deveria ser a concessão de descontos nas parcelas já pagas ou em aberto, e não a oferta de um novo financiamento. O grupo também declarou que, nas condições atuais, não pretende aderir ao programa.
O governo, por outro lado, defende que o Fies Empreendedor integra uma estratégia mais ampla de estímulo ao crédito e ao empreendedorismo, voltada a profissionais em fase de conclusão ou consolidação da vida financeira e acadêmica.

Outras modalidades anunciadas
Entre as novidades está o Desenrola Adimplentes, voltado a trabalhadores informais e autônomos com histórico positivo de pagamento. Já outra medida permite o uso do saldo do FGTS como garantia em operações de crédito consignado privado para trabalhadores formais.
As medidas foram apresentadas por meio de medida provisória e têm como objetivo ampliar o acesso ao crédito, prevenir a inadimplência e estimular o empreendedorismo no país. O foco do governo é oferecer condições mais favoráveis para diferentes perfis de trabalhadores, reduzindo o custo do crédito e incentivando a organização financeira.
No caso dos trabalhadores informais adimplentes, o programa permite a substituição de dívidas com juros entre 6% e 12% ao mês por uma nova linha com taxa limitada a 1,99% ao mês. O público-alvo inclui operações de até R$ 15 mil, priorizando quem mantém os pagamentos em dia.
Para trabalhadores formais, o uso do FGTS como garantia no crédito consignado privado deve ampliar a segurança das operações e reduzir as taxas de juros, também limitadas a até 1,99% ao mês.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a nova fase do Desenrola amplia o alcance do programa, que antes era focado na renegociação de dívidas de inadimplentes, passando agora também a beneficiar quem mantém as contas em dia. Ele destacou que o objetivo é fortalecer uma economia mais organizada e inclusiva, incentivando o cumprimento das obrigações financeiras.
Criado em 2023, o Desenrola já beneficiou cerca de 7,5 milhões de famílias brasileiras. Com essa nova etapa, o governo busca expandir a política pública, incluindo mecanismos de incentivo ao bom pagador e ampliando o acesso ao crédito em condições mais acessíveis.





