Um investimento bilionário liderado por capital árabe coloca o Brasil no centro da transição energética global. O projeto é conduzido pela Acelen Renováveis, empresa criada pelo fundo soberano Mubadala Capital, de Abu Dhabi, e prevê a implantação de uma grande unidade integrada de biocombustíveis.
A iniciativa surge em um momento estratégico, diante da exigência de redução das emissões de carbono na aviação nacional a partir de 2027, o que amplia a demanda por combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Com aporte superior a US$ 3 bilhões, o plano envolve a construção de uma biorrefinaria na Bahia e de um complexo agroindustrial em Montes Claros, em Minas Gerais.
A estrutura foi desenhada para atender tanto à produção em larga escala quanto ao desenvolvimento tecnológico, posicionando o país como fornecedor relevante de SAF em um mercado que tende a crescer de forma acelerada nas próximas décadas.

Produção em escala e foco em combustível sustentável
A meta industrial do empreendimento é alcançar a produção anual de 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis, com potencial de reduzir em até 80% as emissões de CO₂ quando comparados aos derivados fósseis.
O diferencial do projeto está na escolha da matéria-prima. Em vez de culturas tradicionais, a operação será baseada na macaúba, planta nativa do cerrado brasileiro. O cultivo é viável em áreas de pastagens degradadas, apresenta alta produtividade por hectare e permite o aproveitamento integral do fruto, o que amplia a eficiência econômica e ambiental do processo.
Para viabilizar a produção em escala industrial, foi criado o Acelen Agripark, um centro de inovação voltado exclusivamente ao desenvolvimento da macaúba. O complexo recebeu financiamento do BNDES e tem capacidade para produzir milhões de mudas por ano, além de já ter realizado a primeira extração industrial de óleo da planta.





